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Geraldo Gattolini: Desemprego e capitalismo

GERALDO GATTOLINI | 02/10/2018 | 07:00

Quando Lula tomou posse em 2003 na presidência da República, disse que o Brasil estava no pior dos mundos. O índice de desemprego era de 12,3%. Isso significava para ele uma herança maldita. A consolidação do Plano Real e a recuperação dos preços dos produtos agropastoris – as famosas commodities – provocaram meses depois uma grande inflexão no mercado interno. O desemprego começou a diminuir e chegou ao final de sua gestão ao índice de 5,2%. Parecia que o Brasil havia reencontrado seu caminho de crescimento.

O desemprego chegou no final de 2009 a abranger apenas 5 milhões de pessoas. Diziam os analistas que era como se não tivesse desemprego. A economia quando está em crescimento sempre gira com um índice de desemprego entre 3,5% e 5%. Existem muitas pessoas que estão mudando de emprego ou de profissão, reciclando seus conhecimentos ou mesmo mudando para o exterior. Há outros que param de trabalhar ou mesmo entram em férias prolongadas por conta própria. A sensação de desemprego então é falsa.

O emprego começou a dar sinais de instabilidade em 2008 e entrou em declínio em 2010, no final do governo Lula. No período seguinte, as taxas de desemprego começaram a subir, culminando com 12,5%, praticamente a mesma de quando Lula tomou posse.

Voltemos agora um pouco ao passado. Em 1945, as forças populistas entraram em entendimento e, com as linhas autênticas da direita moderada, foram levar a Getúlio Vargas a ideia de criar um partido dos trabalhadores. Receberam do presidente uma sugestão. Como no Brasil faltam capitalistas e sobram trabalhadores, o ideal seria formar o Partido Trabalhista Brasileiro, que reuniria patrões e empregados. Criar um partido só coma bandeira dos trabalhadores afastaria o capital do Brasil. “Se um partido conseguisse reunir as duas partes, seria de bom alvitre”, destacou.

Por falta de autocrítica e exacerbação da vaidade de seus dirigentes, o PT – Partido dos Trabalhadores -, que já foi o símbolo das mudanças e da moralidade, está agora amargando as suas próprias idiossincrasias (características de comportamento peculiares de um indivíduo ou de determinado grupo).

Criar 7 milhões de novos empregos exigirá investimentos de US$ 280 bilhões do setor privado. E nem pensar em investimentos do setor público, que está totalmente desequilibrado, excetuando o Estado de São Paulo. Tinha razão, portanto, Getúlio Vargas.

GERALDO GATTOLINI é jornalista e pesquisador / E-mail: gattolini@uol.com.br

ARTICULISTA GERALDO GATTOLINI JORNALISTA


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