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Geraldo Gattolini: O mais importante

GERALDO GATTOLINI | 09/10/2018 | 07:30

O dia 1o de setembro de 1901 foi considerado durante muitos anos como uma das datas mais importantes de Jundiaí. Neste dia, a Câmara de Vereadores aprovou, depois de muita discussão, o projeto que trazia água potável para o centro da cidade. Havia, porém, uma exigência, Todos os poços de água teriam que ser aterrados. É que, ao lado dos poços de água, existiam as cisternas sanitárias. Deste modo havia contaminação da água, da qual a população se servia. Em consequência existiam muitas mortes prematuras entre a população infantil.

Jundiaí também era conhecida como a cidade dos papudos. A doença de bócio proliferava. É que a água dos poços domésticos não continha iodo. Para que a água fosse retirada dos mananciais da Serra do Japy, era preciso autorização do proprietário da fazenda onde ficavam os mananciais. Levou muito tempo para que o proprietário, o fazendeiro Antonio Mendes Pereira, concordasse com o valor da indenização que a Câmara avaliou, juntamente com técnicos do Governo do Estado.

Mendes Pereira era sogro de Eloy Chaves, o promotor público que estava se lançando na política e que foi o autor da lei que criou a Previdência Social. O abastecimento da água vinha sendo cogitado desde 1870, razão pela qual o acontecimento foi festivamente comemorado, principalmente pela Companhia Paulista de Estradas de Ferro, Indústrias Arens, São Bento de Tecidois e outras indústrias.

Mas em determinado momento, a população começou a reagir contra o projeto. Um político alinhado com o anarquismo passou a falar que aquele era um movimento capitalista que queria cobrar água da população. Dizia que a população não deveria enterrar seus poços. Uma nova determinação iria surgir, obrigando o enterramento dos poços sob pena de pesadas multas. Na periferia, a população parcialmente atendeu o apelo da Câmara. Até hoje existem bairros que retiram água subterrânea.
Com o abastecimento de água potável, em pouco tempo diminuíram os casos de doenças mais evidentes na população local. Quando a água recebeu os benefícios do cloro, o bócio despareceu.

Resolvido o problema da água, o município começou a entrar num novo surto de expansão. Quatro fábricas artesanais de cerveja surgiram e uma indústria de refrigerantes vendia até na capital. As indústrias do vinho e do vinagre cresceram rapidamente. Até hoje a água representa um grande desafio para os modernos administradores. O crescimento da população tem trazido enormes desafios. As variações climáticas e a poluição são elos da enorme corrente de problemas. O saudoso prefeito Alceu de Toledo Pontes gostava de dizer que a doença do bócio havia desaparecido da cidade. Mas os papudos, não. Continuam por aí a contar vantagens e a perseguir os políticos honestos e os trabalhadores.

GERALDO GATTOLINI é jornalista e pesquisador / gattolini@uol.com.br

ARTICULISTA GERALDO GATTOLINI JORNALISTA


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