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Geraldo Gattolini: Os vilões da vida

GERALDO GATTOLINI | 02/06/2018 | 04:00

Reunidos em Genebra, os principais produtores de veículos do mundo afirmaram que a produção global de automóveis está estagnada em 100 milhões de unidades há mais de 10 anos. Existe agora a perspectiva de que esses números comecem a aumentar a partir do corrente ano. Existem notíciais de que a produção da China vai nvamente decolar; a dos Estados Unidos encontra-se em ligeira elevação. Esta notícia é boa para o mundo? Para os industriais e para o governo, o aumento da produção de autoveículos significa mais impostos e maiores rendas. Mas a notícia precisa ser analisada pela outra face da moeda. De um lado está o dinheiro; de outro, a saúde da população.

ARTICULISTA GERALDO GATTOLINI JORNALISTA

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É sabido que o maior problema da China consiste nos poluentes ambientais, provocados pela fumaça das fábricas e dos autoveículos. No japão, nas grandes cidades, existe a epidemia do uso de máscaras contra a poluição, inclusive para dormir. O uso de máscaras protetoras contra a poluição já chegou à China e seus países fronteiriços. Há uma paranoia em quase toda parte. A notícia mais estarrecedora foi divulgada esta semana pela Organização Mundial da Saúde (OMS). Morreram no ano passado em todo o mundo cerca de 1 milhão e 200 mil pessoas devido aos acidentes de trânsito. No Brasil os acidentes com veículos geraram 56 mil mortes, a maioria provocada pelo uso excessivo e irresponsável das motos.

Outros vilões são os ônibus e os caminhões. Esses últimos representam 6,5% da frota nacional, Mas são responsáveis por 42% dos acidentes. Quanto aos automóveis, o álcool e o celular provocam 55% dos acidentes. Proporcionalmente, a região mais afetada pelos acidentes de trânsito é o Nordeste. As motos são responsáveis por 72% dos acidentes. As UTIs dos principais hospitais vivem lotadas por pessoas que estavam dirigindo motos. Em algumas cidades, onde a criminalidade subiu muito nos últimos anos, as prefeituras proibiram o uso de capacetes. Em outras, está sendo restringido o uso de motos com garupa. Isto para evitar mais assaltos. Motoqueiros com tatuagens são suspeitos.

A receita com IPVA não está cobrindo as despesas gerais com pavimentação, consertos e internações de acidentados em muitos estados, principalmente naqueles que negligenciam a fiscalização. Calcula-se que este ano mais de 25% dos proprietários de veículos ainda não recolheram o IPVA em São Paulo. No Rio de Janeiro, Porto Alegre e Belo Horizonte, este índice chega a 40%. Na Europa, os veículos a diesel e gasolina estão com seus dias contados, o mesmo acontecendo com Japão e China. Nos Estados Unidos, a legislação restritiva ainda não passou pelo Congresso. Nas grandes cidades paulistas, a USP acredita que a população tenha 20% de expectativa de vida. Tudo por causa da poluição.

GERALDO GATTOLINI é jornalista e pesquisador / gattolini@uol.com.br


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