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Geraldo Gattolini: Pátria-mãe gentil

GERALDO GATTOLINI | 31/07/2018 | 06:00

Não faz muito tempo que a política era um campo muito mais calmo e tranquilo. Existiam os candidatos que criticavam o adversário e as instituições, mas tudo de uma maneira mais educada. Hoje estamos assistindo os acontecimentos de uma forma muito deseducada. Os adversários se tratam como se fossem inimigos e há um clima no ar de absoluta intolerância. A própria presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), a mineira Cármen Lúcia, enfatizou na semana passada, numa conferência, que gostaria de voltar ao tempo em que efetivamente o Brasil era uma pátria gentil.

Essa briga alvoroçada que vemos na política transborda para sentimentos impuros e aí plantamos a discórdia, que é a mãe de todas as infelicidades. Como seria bom se todos os partidos se unissem para falar educadamente ao povo. A radicalização dos sentimentos políticos só pode nos levar a caminhos desastrosos. O que tem salvado o Brasil de um desastre maior é que nosso povo tem índole trabalhadora e foi ensinado a ter raiva à guerra e às revoluções. Tivemos muitas delas no passado, todas vertidas nos ressentimentos das elites ou de ideologias partidárias raivosas. A última revolução que tivemos foi em 1932 e, desde então, o Brasil se pacificou. As diversas tentativas de sublevação foram sufocadas em pouco tempo. Aqui vamos abrir um espaço para falar da revolução de 1964. Aquilo não foi revolução. Constituiu-se na verdade enquartelada. A revolução de 1932, onde morreram oficialmente 938 pessoas, está sendo esquecida. As causas são conhecidas.

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Interesses de fazendeiros do café financiaram o levante. Queriam as vantagens do acordo do café de 1906, que foram anuladas por Getúlio Vargas em 1930. Para entender esses acontecimento, basta ler o diário de Getúlio, no qual ele narra os efeitos dos interesses das elites sobre o orçamento da União. Em 1930, o ambiente político tinha conotações de uma guerra. Para entender o que se passava neste ambiente político, basta ler os livros de João Neves da Fontoura – “Aliança Liberal e a Revolução de 1930”. Tem razão Carmen Lúcia. O Brasil precisa ser uma pátria gentil. Enquanto os partidos se digladiam e há uma crise duradoura, principalmente nos grandes centros, o povo do interior trabalha. Observa a esquerda, mas pratica a liberal democracia, acreditando que está construindo o futuro. Parece que o povo trabalhador se distanciou do mundo político. O comparecimento do eleitorado ao pleito de outubro vai demonstrar isso. Assim como a nação precisa de gentileza, as pessoas também necessitam ser gentis. Uma nação se constrói com a paz, principalmente com os corações calmos e felizes.

GERALDO GATTOLINI é jornalista e pesquisador / gattolini@uol.com.br

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