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Geraldo Gattolini: Planejamento de Jundiaí

GERALDO GATTOLINI | 24/07/2018 | 05:30

Muitos estudiosos e arquitetos imaginam que as primeiras ideias sobre o planejamento de Jundiaí nasceram na década de 1950, quando assumiu a prefeitura o engenheiro Vasco Venchiarutti. Efetivamente, Vasco, assim que assumiiu o cargo de prefeito, tratou de imediato de colocar no papel suas ideias a repeito da expansão da cidade. Acercou-se de alguns amigos e lançou as primeiras diretrizes. Contemplavam a abertura da avenida Jundiaí, a construção da avenida 9 de Julho e a expansão da cidade em direção à via Anhanguera. Construiu o ginásio de esportes, o Parque Comendador Carbonari e doou terrenos para a construção de casas na região do Anhangabaú. Deixou a marca de sua administração para a construção da cidade do futuro.

A repercussão no Instituto de Engenharia de São Paulo e na Faculdade de Arquitetura do Rio de Janeiro sobre o planejamento, nesta época, colocou Jundiaí em evidência. Muitos políticos vieram à cidade para verificar o que estava acontecendo. Ela passou a ter um surto acentuado de crescimento. Coincidia com a implantação de Brasilia, que era a capital mais arrojada do mundo e que se destinava a ter um papel muito importante para a expansão do Centro-Oeste brasileiro.

Mas ninguém deve duvidar das antigas preocupações do planejamento urbano de Jundiaí. Desde a fundação da cidade em 1639-1640, já existiam preocupações sobre o planejamento. De forma inédita, nossos pioneiros planejaram a construção da Vila de Jundiaí com duas ruas no sentido norte-sul, isto é, a rua Barão de Jundiaí e a Rosário. Entendiam nossos fundadores que era importante as casas receberem com abundância a luminosidade do sol e de forma intensa, uma maneira prática de se evitar doenças. Os pioneiros falavam muito no cuidado com os miasmas. Diziam que o diabo e as almas penadas tinham muito medo do sol.

ARTICULISTAGERALDO GATTOLINI JORNALISTAEntre 1960 e 1980, os arquitetos Araken Martinho e Antonio Fernandes Panizza fizeram inúmeras reuniões com políticos, engenheiros e arquitetos, professores e empresários para traçar os rumos do futuro, agora numa dimensão mais ampla. Inclusive definiram que o centro da cidade deveria ser preservado da construção de arrojados edifícios. A preservação foi detonada em alguns pequenos aspectos, mas alguns casarões estão preservados. A cidade não conseguiu, porém, evitar o congestionamento de veículos, que hoje tumultua o trânsito na região central e nos bairros adjacentes. Surgiram bairros na rota da periferia, cujos bens e serviços estão começando a aliviar a vida da população. Mas há sérias preocupações sobre o futuro.

GERALDO GATTOLINI é jornalista e pesquisador / E-mail: gattolini@uol.com.br


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