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Glauco Gumerato: Eleições e análise do discurso

GLAUCO GUMERATO RAMOS | 16/10/2018 | 07:30

Educação e respectivas políticas públicas no Brasil deixam muito a desejar. Basta que se observe os índices sobre o assunto. Facilmente se constata a disparidade existente no setor educacional entre os mais diversos estados da federação. A situação é um pouco menos preocupante quando a educação básica é ministrada em ambientes particulares que prezam pela excelência. Se bem que o caráter particular da educação não é varinha de condão para dar qualidade ao ensino. Inspirado pelo Conselheiro Acácio, afirmo que a educação básica impacta a formação da criança rumo à vida cidadã. Logo, quanto maior a qualidade, melhores serão os resultados.

Vários são os saberes que a escola, a família e os adultos responsáveis passam aos pequenos, que aos poucos vão formando o seu caráter. Com os saberes adquiridos, passam a compreender a realidade ao seu redor. Nos ensinam português, matemática, história, ciências… Nos ensinam educação à mesa ou em público, por exemplo, e a respeitar os mais velhos e o semelhante em geral. Nos põem em contato com um idioma distinto do nosso idioma materno. Nos ministram educação básica sobre economia familiar. Nos ensinam os elementos dogmáticos da religião professada por nossas famílias. E por aí vai.

Mas tão relevante quanto estes e outros saberes que nos são apresentados no início de nossa trajetória, seria importante que nos fosse ensinado, ainda quando crianças, noções elementares da chamada Análise do Discurso. Em época de eleições, como a que vivemos agora, e tendo em conta que o voto é uma forte projeção da cidadania no ambiente social, a Análise do Discurso nos ajudaria a melhor receber, filtrar e compreender o teor da verborragia manhosa dos candidatos que aí se apresentam pedindo votos.

Quando se pensa mais com o espírito crítico e menos com o de torcida, e volta-se os olhos ao passado político recente ou remoto dos candidatos, vê-se o quanto somos presas fáceis diante do “tró-ló-ló” dos que aí estão. Os candidatos que polarizam as intenções de voto a presidente e a governador aqui em nosso estado, por exemplo, repetem coisas que não condizem com o que já fizeram ou pensaram sobre o respectivo tema no curso de suas vidas.  Orientados por competentes marqueteiros políticos, amaciam o tom do discurso tentando, mais uma vez, fazer de nós as presas fáceis que lhes darão o voto.

Tivesse a Análise do Discurso feito parte de nossa grade curricular fundamental, também seria possível perceber que muitas das tolices que são lançadas na web ou em outras redes não passam de lixos comunicacionais, irrefletidamente replicados por adeptos deste ou daquele candidato, que sem perceber se tornam soldados da não-verdade. Presas fáceis, pois. No plano nacional há um discurso no ar que corre o risco de se tornar vitorioso. Discurso ruim, no conteúdo e na forma. Restará a esperança de que entre a palavra e a ação se imponham as liberdades contramajoritárias estabelecidas na Constituição do país.

GLAUCO GUMERATO RAMOS é advogado em Jundiaí, presidente para o Brasil do IPDP e diretor de Relações Internacionais da ABDPro

ARTICULISTA GLAUCO GUMERATO RAMOS ADVOGADO


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