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Glauco Gumerato: Presidente do Senado e ‘a nova política’

GLAUCO GUMERATO RAMOS | 05/02/2019 | 07:30

Os políticos profissionais de sempre, figurinhas carimbadas conhecidas por todos, ou mesmo aqueles que integram o chamado “baixo clero” do Congresso Nacional, que às vezes são “desarquivados” da obscuridade pelos noticiários, apropriaram-se de um slogan discursivo que se tornou corrente: a “nova política”. Raposas velhas e raposinhas insistem em dizer que representam ou que estão a serviço de uma “nova política”, onde as “injustas” e “ultrapassadas” práticas da “velha” política não teriam mais espaço. Sedizentes operadores de um “novo” proceder político seduzem parcela expressiva da população, tornando-a presa fácil. O fenômeno leva as pessoas ao autoengano, fazendo-as acreditar que tais políticos seriam aquilo que atualmente convencionou-se chamar de “outsider”. Em suma, é uma espécie de triunfo da esperança sobre a experiência. Por isso é importante que os olhos estejam bem abertos. Do contrário o óbvio não será enxergado. Alguém em sã consciência acredita que a recente eleição para a presidência do Senado, e o respectivo presidente eleito, representam algo de novo em termos de política no Brasil? A resposta se impõe intuitivamente. Não há nada de novo no que ali se passou, muito ao contrário. Mais uma vez o que se viu foram as práticas e as pessoas de sempre, salvo, é claro, o “ilustre desconhecido” senador eleito para presidente da Casa. Recém desarquivado do “baixo clero”, para onde deverá regressar após servir aos interesses do governo, Davi Alcolumbre foi eleito presidente do Senado Federal. Senador pelo Amapá desde 2015, o jovem Alcolumbre, de 41 anos, integra a lista dos parlamentares do âmbito federal que, quando muito, são conhecidos apenas pelos próprios eleitores.
Chamou a atenção a forma como foi eleito presidente do Senado. Além de o processo de votação ter encerrado mais uma lambança de nosso legislativo, Davi Alcolumbre elegeu-se presidente tendo sido bancado pelo governo por intermédio de Onyx Lorenzoni, Chefe da Casa Civil. Ambos, Onyx e Alcolumbre, pertencem ao mesmo partido, o DEM. No âmbito do Senado, Davi Alcolumbre foi diretamente apadrinhado por Tasso Jereissati, conhecido oligarca senatorial que também saiu vitorioso, já que conseguiu impor derrota ao seu desafeto Renan Calheiros e à sua pretensão de voltar a presidir aquela Casa.
Como se vê são nomes e procedimentos que se repetem, com exceção do presidente eleito para o Senado, que é um ilustre desconhecido. Não há nada de novo nessa realidade. A novidade, se é que há, restringe-se ao fato de que são pessoas que insistem no slogan da “nova política”, mas que não passam de subproduto das velhas práticas por nós já conhecidas. Tenha-se em conta que os agora presidente das duas Casas do Congresso Nacional, Davi Alcolumbre e Rodrigo Maia, são políticos ligados ao DEM, partido de tradição fisiologista inteiramente afinado com o atual governo. É essa a “nova política”?…

GLAUCO GUMERATO RAMOS, Advogado. Professor da FADIPA. Presidente para o Brasil do IPDP. Diretor de Relações Internacionais da ABDPro.

ARTICULISTA GLAUCO GUMERATO RAMOS ADVOGADO


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