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Glauco Gumerato Ramos: Conservadorismo político – 6

GLAUCO GUMERATO RAMOS | 12/06/2018 | 06:00

O senso comum associa à ideia de conservadorismo um tipo de comportamento que parece ser, ou se mostra, reacionário, no sentido mais negativo que este termo sugere. Para muitos, “conservador” seria um sujeito que defende valores egoísticos e desacoplados do sentido mais altruísta das relações humanas. Tal ideia revela certa desinformação. Edmund Burke é considerado o “pai” do conservadorismo moderno. Nascido na Irlanda, era integrante do Parlamento britânico quando ocorreu a queda da Bastilha, em 1789. Político de viés liberal e autor de escritos filosóficos, notabilizou-se com um livro de 1790 onde teceu críticas aos métodos violentos observados no interior da Revolução Francesa. O livro é “Reflexões sobre a Revolução na França”.

Foi a partir daí que se passou a creditar a Burke a paternidade do conceito moderno de conservadorismo, extraído de sua crítica aos cruentos métodos revolucionários. Confira-se o que afirmo em “As ideias conservadoras – Explicadas a revolucionários e reacionários”, do português João Pereira Coutinho. É de Edmund Burke a seguinte frase: “É um erro popular muito comum acreditar que aqueles que fazem mais barulho a lamentarem-se a favor do público sejam os mais preocupados com o seu bem-estar”. Os métodos sanguinários dos revolucionários franceses permitiram a Burke vaticinar que os atos violentos continuariam. Lembre-se que seu livro foi publicado em 1790, pouco após a queda da Bastilha, época em que os acontecimentos ainda ferviam na França, com repercussão em alguns setores da sociedade londrina.

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A reflexão ideológica daí surgida revelou que mudanças ocorridas mediante forte tensão de caráter revolucionário acabam gerando problemas que podem ser evitados caso a opção de mudança seja pela via político-democrática, ao invés do rompimento institucional provocado revolucionariamente. Edmund Burke, muito provavelmente, foi o primeiro a chamar a atenção para os problemas sociais, jurídicos e econômicos gerados pelo método revolucionário, que impactam negativamente a vida individual e coletiva daqueles a quem a revolução “prometeu” trazer eventual bem-estar.

Conclusão: mudanças que implodem as instituições vigentes geram alterações revolucionárias, que exigirão um preço alto a se pagar. Por outro lado, mudanças que são feitas de forma paulatina, respeitando-se os limites jurídicos e políticos de uma sociedade, serão melhor absorvidas por todos, já que são feitas sem a destruição integral e imediata da ordem das coisas. Portanto, um conservador é aquele que respeita e tem apreço pelos marcos jurídicos, políticos e sociais estabelecidos. Aceita e quer mudanças, mas desde que elas não impliquem no derretimento dramático de uma ordem pré-estabelecida.

GLAUCO GUMERATO RAMOS é advogado em Jundiaí, presidente para o Brasil do IPDP e diretor de Relações Internacionais da ABDPro

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