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Glauco Gumerato: River vs. Boca

GLAUCO GUMERATO RAMOS | 27/11/2018 | 07:30

Por uma coincidência gerada pela labuta estava eu em Buenos Aires no sábado que passou. Na capital federal não se falava em outra coisa que não fosse a final da Copa Libertadores da América. Não era para menos. Às 16 horas daquela tarde seriam abertos ao público os portões do Monumental de Núñez, “la cancha” do time anfitrião. Aguardava-se para às 17 horas o início de um confronto doméstico entre duas das maiores rivalidades do futebol argentino e mundial: River Plate e Boca Juniors. Sem dúvida algo mítico, uma espécie de “Corinthians e Palmeiras” das margens do Rio da Prata. Acompanhava-me um professor de direito processual civil sul-mato-grossense, meu venerável amigo André Luiz Maluf de Araújo, ex-juiz do TRE-MS e destacado advogado em Campo Grande.
Fizemos questão de acompanhar os comentários prévios à partida via rádio, no carro em que estávamos. A expectativa era enorme. Locutores das mais diversas estações de AM não se cansavam de repetir que aquele confronto era um clássico do futebol sul-americano. Numa empolgante retórica portenha anunciavam que nada seria como antes após aquela final argentina da Libertadores de 2018.
Repetia-se aos borbotões que o tráfego local estaria interditado por várias quadras na avenida 9 de Julio, nos arredores do Obelisco. Ali, tradicionalmente os torcedores se reúnem para as comemorações pós vitória. Também estaria bloqueado o acesso às ruas e avenidas das imediações do Estádio do River, local do jogo, antes mesmo do final da partida. Essas informações, em especial a última, nos eram desfavoráveis.
Nosso voo de regresso partiria do Aeroparque às 19h50. Como esse é o aeroporto central da cidade, e fica nas cercanias do Monumental de Núñez, teríamos que nos antecipar para não pôr em risco a volta para São Paulo. De qualquer maneira teríamos um trânsito tranquilo para o aeroporto, já que a maioria dos moradores da cidade estaria acompanhando a partida pela televisão. Os mais sortudos. diretamente de dentro do estádio.
Por volta das 17h30 saímos do restaurante onde estávamos no bairro de San Telmo e fomos para o estacionamento buscar o carro alugado, que seria devolvido no mesmo Aeroparque. Naquele momento nostálgico típico da hora de vir embora, ligamos o rádio para saber em que pé estava a decisão da Libertadores. Daí veio a insólita surpresa.
Locutores vociferavam indignados que a partida ainda não havia começado. O ônibus que levava o time do Boca para o estádio havia sido apedrejado pouco antes de chegar no campo do River Plate. As informações eram de que havia jogadores feridos. Os cartolas se anteciparam em anunciar que não havia clima para dar início ao jogo. Conclusão: a palavra que mais se ouvia dos repórteres esportivos da rádio era “vergüenza”. Os argentinos estavam desapontados e envergonhados com aquela quizumba.
Todos sabemos que a “épica” final da Libertadores da América de 2018 entre River Plate o Boca Juniors foi adiada e ainda não aconteceu.
A versão europeia da Libertadores é a Champions League. Os respectivos finalistas disputam o mundial no Japão. Alguém se lembra de algo parecido na Champions?
De fato, “que vergüenza hermano”?!

GLAUCO GUMERATO RAMOS é advogado em Jundiaí, presidente para o Brasil do IPDP e diretor de Relações Internacionais da ABDPro

ARTICULISTA GLAUCO GUMERATO RAMOS ADVOGADO


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