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Grandeza e obrigações da paternidade

JOÃO CARLOS JOSÉ MARTINELLI | 12/08/2018 | 07:15

No coração do ser humano, ter um pai representa possuir raiz, identidade e uma base sólida, constituindo-se num direito de toda criança conhecê-lo e conviver com ele. Quem não teve essa oportunidade, corre o sério risco de ficar, para sempre, buscando a compreensão de si mesmo. É por isso que um homem precisa ter consciência da importância destes aspectos e pensar que sua força e virilidade não estão na quantidade de filhos que gera, mas em sua disponibilidade de assumi-los e na qualidade de sua presença.

Efetivamente, eles precisam de amor, carinho, atenção, presença, amizade, orientação, modelo e estímulo daquele que os gerou. Inexiste qualquer coisa que possa preencher o vazio deixado por um genitor. “O pai é a figura que constela determinados símbolos no desenvolvimento dos filhos. Ele assegura a passagem para a vida social e a ruptura da ligação com a mãe. È a instância normativa, a lei. Aponta para o crescimento, a saída, o externo. Para a menina, representa a primeira figura masculina com quem ela interage e por quem desenvolve afeto. Para o menino, é o modelo de como um homem funciona. Sua ausência ou presença tem efeito condicionador preponderante na formação da criança e na vida do futuro adulto” – afirmou o psicólogo Ageu Heringer Lisboa em matéria publicada pela revista “Família Cristã” (08/1994- p. 22).

Num mundo consumista e egoísta em que vivemos, no qual cresce a lei do vale-tudo, onde as pessoas são cada vez mais valorizadas por aquilo que têm e não pelo que são a relevância da figura paterna é manifesta, havendo de se diminuírem as distâncias com os rebentos, possibilitando-lhes uma convivência serena e de confiança mútua. Diante desse processo de inversão de valores e mudanças nos padrões de comportamento, a imagem de progenitor distante, rígido e exigente, vai cedendo lugar a outra mais humana, próxima, envolvida com a vida do filho desde a sua concepção, afastando-se das barreiras impostas por condutas autoritárias e de distanciamento.

A paternidade faz parte de uma filosofia de vida, que aplicada diariamente, numa seqüência coerente através dos anos, constitui-se numa das missões mais importantes desempenhadas pelos seres humanos. E há que se ter uma grande dose de fé, amor e esperança, acrescida de muita sabedoria, maturidade e despojamento no exercício de tal atributo, preservando-se a autoridade da função que estabelece limites e compromissos, ao mesmo tempo em que gera afeto aos descendentes, provendo-os nas suas necessidades. A própria legislação vem se adequando a esta nova realidade traduzida num potencial maior de relacionamento e de participação paterna.

Para alcançarmos uma nova convivência, embasada no Direito e na regular ordem social, necessitamos de pessoas que cultivem preceitos de ordem moral, com consciência crítica, despojados de apegos exclusivamente unilaterais; que conquistem cada vez mais espaços autênticos na educação de seus filhos; que tenham a fé libertadora dos limites materiais e reveladores dos valores espirituais e que sejam dotados de responsabilidade para formarem social e pessoalmente, crianças e jovens, de tal sorte que estes não se abalem com os complexos dilemas que o consumismo desenfreado cria quando confronta com aspectos de amplo e irrestrito respeito à dignidade do ser humano.

Homenageamos hoje, DIA DOS PAIS aqueles efetivamente comprometidos com tais posicionamentos, cientes da grandeza e das obrigações atinentes à paternidade.

JOÃO CARLOS JOSÉ MARTINELLI é advogado, jornalista, escritor e professor universitário. É presidente da Academia Jundiaiense de Letras (martinelliadv@hotmail.com)

JOÃO CARLOS JOSÉ MARTINELLI


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