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Guaraci Alvarenga: Fiéis soldados

GUARACI ALVARENGA | 31/08/2018 | 04:50

No livro da história de Jundiaí, em uma de suas páginas mais marcantes, de nosso maior orgulho, está o notável registro do 12º Grupo de Artilharia de Campanha, o tão querido 12º GAC. Suas origens remontam ao ano de 1919. Sua saga gloriosa data participações memoráveis já nos primeiros anos de existência. Em 1924 e 1930, participou do movimento revolucionário com baterias na 2ª Brigada de Artilharia em Campinas e Quitaúna, na Capela de Ribeira.

Tomou parte da Revolução Constitucionalista de 32, recebendo homenagem do povo jundiaiense. Esteve em Laguna, operando nos estados do Paraná e Santa Catarina, restabelecendo a autoridade constituída por movimento surgido no sul do país.  Na revolução de 64, realizou sua maior façanha, marchando 450 km numa só jornada para reforçar a 5ª região militar. Sua bandeira ostenta a Medalha Constitucionalista e, em 1997, recebeu a insígnia de bandeira da Ordem do Mérito Militar, a mais elevada distinção honorífica do Exército Brasileiro. Mais alguns meses e estaremos vivendo um século de glórias.

Neste sábado, retornam estes heróis reservistas ao berço da brasilidade, com a 21ª Volta à Caserna. Abre-se o Portão das Armas. Estes orgulhosos reservistas desfilam novamente em frente à casa principal. Quando o comandante Ten. Cel. Carlos Henrique Silva Martins, ao compasso da banda liderada por Benami Tavares, acompanhado de Angelo Vincoletto (classe 1927), Nercio Moda (classe 1927) e Mario Dalbo (classe 1931), tremular a céu aberto o auriverde pendão, não há como conter tamanha emoção, ao que já se chamou carinhosamente de “mar de cabelos grisalhos”.

Jose Carlos Zarpelon (classe 1949) faz a oração. Algumas doces lembranças serão buscadas na memória. O corte de cabelo ‘reco”. A primeira marcha carregando mochila e fuzil. O primeiro acampamento. Dormir no mato. O treinamento à noite. A saudosa “baixa”. O coturno reluzente, companheiro do cotidiano. A vistoria, feita todos os dias, para sair do quartel. A barba feita e a farda limpa, o “rango” e a generosa comida do quartel: arroz, feijão, salada, carne cozida no molho com batata e pão. A elegante farda verde oliva e o ajeitado quepe. Ah! o primeiro soldo.

Ao vê-los, companheiros, caros reservistas, neste encontro memorável, acredita-se no nosso maior triunfo, o da democracia. O respeito ao nivelamento das classes sociais, a ordem, a disciplina, a coesão e a educação cívica. Quero dedicar a coluna de hoje a esta valorosa comissão organizadora do evento, ao incansável Renato De Sordi (classe 44). Quero, no brilho da festa, dar um abraço afetuoso ao amigo e mestre Roque José Agostinho. A Caserna, companheiros, é o filtro admirável onde os homens se depuram e se apuram e nos fazem acreditar que o sentimento de brasilidade jamais será esquecido. Somos filhos da Caserna. Somos fiéis soldados da Pátria.

GUARACI ALVARENGA é advogado. E-mail: guaraci.alvarenga@yahoo.com.br

GUARACI ALVARENGA


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