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Guaraci Alvarenga: Histórias pequenas de gente grande

GUARACI ALVARENGA | 07/06/2019 | 07:30

São conhecidas histórias de pessoas que se dedicam e organizam suas vidas em função do bem comum. Prendo-me hoje a duas delas que muito me impressionam:

ARLINDO VICENTE – O advogado, mais conhecido carinhosamente por doutor Peroba, diz com orgulho, que nasceu nos “estados unidos da Ponte São João”. Hoje aos 84 anos de idade é figura indispensável nos meios sociais da cidade. Sempre alegre e divertido, conhece a maioria das letras do cancioneiro popular. Foi amigo do grande Silvio Caldas. Desde cedo perdeu sua querida mãe. Para ajudar em casa e manter os estudos, precisou ser engraxate. Os associados do Clube Jundiaiense, o permitiram trabalhar na porta salão de carteado. Nunca esqueceu esta gratidão. Tempo passou. Agora era gerente do Banco Federal de Crédito. Procurado pelo presidente do Clube, o dr. Alfredo Justino Garcia. Desejava comprar uma gleba de terra pelo Clube. Juros muito altos. Dr. Garcia desistiu. Foi aí que o querido Peroba, quebrando uma regra bancária, o alertou, que havia a Carteira Agrícola da SUMOC, financiamento subsidiado do Governo Federal para a produção agrícola. Tudo certo. Hoje sua sede de campo. Mas há um bom senso de humor, nesta história. Passado algum tempo, houve fiscalização governamental. Peroba telefonou do imprevisto para o Osvaldo Leite, então presidente na época. Osvaldão, não se intimidou. Um velho “jeep”. Mandou o funcionário Rampin quebrar parte da cerca do proprietário vizinho. Com a chegada do fiscal, já o levaram para uma produção de uvas. Hoje, aquele garoto engraxate, de então, fez parte importante de cultivar o grande Clube da cidade e talvez um dos melhores do Estado.

PEDRO CLARISMUNDO FORNARI – O saudoso professor, que com idealismo, competência e dedicação fundou, em 1941, as Escolas Padre Anchieta. Oferecendo uma educação de qualidade a cidade se orgulha da sua conceituada UNIANCHIETA. Fornari sempre foi um visionário da beleza. Na esquina da avenida Jundiaí, em frente ao Posto Segli, havia o bar do Orlando Cavalli. A família Cavalli há 110 anos administra a Sapataria Central, comandada pela dona Vanda, com 84 anos de idade. Fui seu vizinho. Gente fina. Fazia uns gostosos croquetes e sempre mandava para meu menino, que os comia, com toda vontade. O seu mais importante cliente era o professor Fornari. Suas conversas iluminavam o ambiente. O caminho de todo o mundo que o ouvia, clareava como a luz do alvorecer. O professor não se cansava de dizer que a avenida precisava ser arborizada, ter jardins em seu canteiro central. Tal foi seu emprenho que seu Orlando me confidenciou que o grande professor, fez a doação de mudas, para a que a Prefeitura pudesse plantá-las. Hoje, quando trafegamos pela grande avenida, ao ver a tão belas árvores robustas, ornamentando o negrume do asfalto, tributemos-lhe homenagens: foi um grande homem !
Ao finalizar, fico com meu amigo “irmãozinho” Pascoal Suenson: as homenagens devem ser feitas, em vida, pois podem chegar tarde, as flores do reconhecimento.

GUARACI ALVARENGA é advogado. E- mail: guaraci.alvarenga@yahoo.com.br


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