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Guaraci Alvarenga: O lado da Copa que emociona

GUARACI ALVARENGA | 29/06/2018 | 06:00

O comércio reclama das vendas. A população não se contamina de euforia. Anteontem, a nossa mais famosa avenida, a 9 de Julho, depois do jogo, cansou de esperar por uma bandeirinha nacional. Sabemos que as agruras e aflições econômicas do país, que passa por uma crise de ética na política, macula o ânimo de qualquer cidadão. Se falarmos em cerca 28 milhões de brasileiros querendo trabalho, não estamos mentindo. Como disse, Eduardo Kalaf, nós calçamos chuteiras. O futebol, nossa grande paixão. Confesso que não andava muito confiante com nossa seleção.

Neste jogo contra a Sérvia, o amigo Pitico não só abriu as portas de seu apartamento como estendeu uma saborosa mesa de iguarias, toda ornamentada com as cores verde amarelo, por certo decorada pelas mãos artísticas de sua esposa Rita. Um a um, foram chegando os companheiros. Mauro Marques era o mais confiante. Exibia vibrante o ingresso comprado para as semifinais. O internacional Ivan Pessini não se cansava de mostrar os WhatsApp que seu filho mandava. Edu Kalaf vibrava com seu Neymar. Lord Esquerda, soberano, em suas análises. Tigrão esqueceu o jogo. Tinha olhos só para as fotos dos netos. Chiquinho, em nova fase, disse que vai esperar a final para comemorar. Dr. Marcos Ferreira apreciou mais o “torresminho de panceta” do que a partida. O cardeal Orides Russi, o único a apostar numa vitória tranquila. Conhece futebol como poucos.

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Veio a classificação. Contemplei cada semblante amigo, o sentimento de brasilidade que aflora em cada sorriso. Sorriso que guarda todos os sentimentos que só o futebol pode vivenciar. Aproximei-me da mesa apetitosa. Num canto, numa travessa verde, vi um pudim. Naquele saboroso doce, reluzia um amarelo, cor de gema de ovo. Um emotivo sentimento me fez viajar no tempo. Trafeguei por minha lembranças. Desembarquei no ponto de parada de minhas raízes. Sobre uma pequena mesa de madeira, um velho livro de poesias que meu pai me deixou. Em sua páginas amareladas os verso de Olavo Bilac: “Criança, ame com orgulho a terra em que nasceste. Criança, não haverá país como este”!

O toque do celular me despertou da doce recordação. Era minha querida neta Leticia. Havia assistido ao jogo, com suas coleguinhas, na escola Divino Salvador. “Vovô, você me compra uma bandeirinha do Brasil”? Não contive as lágrimas em meus olhos. Chorei de emoção. Assim eu gostaria que a vida de todos os brasileiros pudesse ostentar este pendão verde amarelo, com orgulho, altivez e amor.

GUARACI ALVARENGA é advogado. E-mail: guaraci.alvarenga@yahoo.com.br

GUARACI ALVARENGA


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