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Guaraci Alvarenga: O saber da vida

GUARACI ALVARENGA | 20/11/2018 | 07:20

Professor culto, experiente e dedicado aos seus ensinamentos. Aproveitava cada momento de suas aulas a conduzir seus alunos a buscarem o melhor de si, a dar valor nos estudos. Insistia nas lições que tudo é parte de ousar e expandir horizontes, que o futuro não pertencia aos fracos do coração.
Teve a ventura de conhecer varias gerações de alunos, criar raízes efetivas de amizade e estima, de saber as preocupações que os afligiam, seus sonhos de juventude. Todavia se lembrava de sempre do noticiário no Brasil. Será possível? Não desanimava. Buscava energia para continuar a sua batalha de ensinar. Dizia que éramos incapazes de sonhar.
A vida nos ensina que os que pensam somente no dinheiro, geralmente não o ganham. Perdem boas oportunidades de realização pessoal e deixam de acreditar que o dinheiro virá como consequência. Percebia, no entanto, que a maioria dos jovens, pautava suas carreiras a seguir, pelo dinheiro.
Dias destes o encontrei.
Um pouco mais velho, menos taciturno, mas como maior riqueza de conhecimento e cultura. Mantinha ainda a jovem aparência de acreditar na vida. Convidou-me para um café. Com açúcar ou adoçante? Adoçante, com stevia. O aspartame é prejudicial a saúde. Notei sua expressão de otimismo, com a vantagem de quem nunca abandonou a carruagem da imaginação. Gostaria de me confessar algo que tocou profundamente a sua vida de professor.
Disse-me, um tanto surpreso e alegre, que faz em todo final de ano letivo, a pergunta clássica aos alunos: o que desejam ser na vida. A classe se agitou.
A cada resposta deles, fazia um comentário de incentivo e replicava se estavam convictos da escolha. Um a um buscavam viver seus sonhos. Engenheiro, medico, dentista, advogado, economista, arquiteta, marketing, propaganda, veterinário, jornalismo e tantas outras profissões. Buscavam no íntimo, o sucesso para uma vida melhor. Viagens, carros, casas na praia, tudo que o dinheiro pode alcançar. Eufóricos não temiam a agonia da escolha, sequer a solidão da responsabilidade.
Observou o mestre, em certo momento,,no meio daquele enorme entusiasmo, que no fundo da sala de aula, um jovem ali permanecia sentado e calado.
Intrigou-se com seu comportamento isolado dos demais. Sabendo-o inteligente e estudioso, jovem de rara criatividade, pediu silêncio para a classe e lhe dirigiu a palavra.
_ E você meu caro aluno, seus colegas e eu, gostaríamos de ouvir o que deseja ser na vida.
_ Mestre, eu desejo ser feliz.

GUARACI ALVARENGA é advogado. E-mail: guaraci.alvarenga@yahoo.com.br

GUARACI ALVARENGA


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