Opinião

Guaraci Alvarenga: O velho sabão em pedra


Este coronavírus sempre demonstrou tendência para uma migração. Originado da China, sempre a China, se desencadeia por todos os países e continua extraordinariamente nas principais cidades do mundo, principais lugares do tráfego de turistas, imigrantes e negócios. Assim Nova York, a cidade do dinheiro, nada pode fazer. Paris a cidade luz, mantem-se às escuras, Roma, a cidade eterna, parece se consumir na epidemia. São Paulo tem o maior numero de contagio no país. Segundo Nizan Guanaes, a reflexão de hoje, ele direto da quarentena, o importante nesta hora é ressaltar o que é essencial na vida. Pelo que tenho ouvido dos especialistas e dos médicos a par de toda tecnologia dos laboratórios e hospitais, o antiquado e esquecido sabão em pedra é o mais essencial e indispensável na limpeza das moradias, principalmente em lavar as mãos. Triste extremos que se chocam. Por outro, ao ver a economia parada, o comércio fechado, as ruas desertas, milhões de desempregados, ambulantes. Não podemos sequer buscar o alimento do dia a dia. Autônomos parados. Permitam-me citar as palavras do brilhante desembargado dr. Soares Levada: "fundamentalmente ele (o presidente) está certo. O remédio vai matar doente. Vírus como esse existem há milênios, matam os mais fracos e depuram a raça. O que está sendo feito vai matar e adoecer muito mais gente com a depressão econômica que virá. E as instituições fracas, com o povo fragilizado, é tudo o que qualquer ditador quer." Todos sabem que o maior risco de contágio está entre as pessoas acima de 60 anos de idade, pessoas com doenças crônicas, e com imunidade baixa. Nisto foi claro e impositivo: fiquem isolados em suas residências. Como disse Thomas Fiedman: com desemprego se alastrando tão rápido quanto o vírus, "o que estamos fazendo com nós mesmos? Com nossa economia? Com a próxima geração? Será que essa cura - mesmo por um período curto - será pior que a doença?". O povo sabe disso. Esta situação excepcional, como comprova a história, produz certo encorajamento de instintos obscuros e anti sociais nos mais desgraçados. Mais que o dinheiro, a fama, a ostentação, interesses menores. Não precisamos necessariamente ser fortes, mas se mostrar forte. A dor nos une, o amor preserva a união, e este amor não tem limites. Devemos manter a maneira que vemos as coisas ao nosso redor. Quem perdoa, ama. Quem ama, vê luz divina nos seus olhos. Nestes momentos, a felicidade só é verdadeira quando é compartilhada. Assisti ao filme a "A vida em si", numa de suas passagens, a tese universitária premiada, foi a intitulada "O narrador nunca é confiável". Estou certo disso. GUARACI ALVARENGA é advogado.

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