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Guaraci Alvarenga: Outono em Jundiaí

GUARACI ALVARENGA | 26/04/2019 | 07:30

Tanto àqueles que aqui nasceram, como tantos outros que adotaram esta terra, cristalizam uma filosofia de vida de convívio comunitário dos mais invejáveis. A cidade hospeda, em cada canto, a alegria de suas invejáveis festas tradicionais. Como nos versos da inesquecível professora Haydée, “teus filhos amantes são de ti”. Sim, amantes do seu pedaço de chão. A cidade conta com as vantagens de uma metrópole, e guarda no seu seio, as virtudes de uma província. Qualidades que a diferenciam de outras plagas, graças o esforço, o trabalho e a abnegação de suas afáveis comunidades.
Esta herança cultural e histórica sustenta-se pela fé, amor e bondade. O friozinho do outono celebra as saborosas festas tradicionalistas. Encantam a todos realçando uma raiz de solidariedade inigualável. A tradição cativa gente, que acredita. A convicção vem de dentro, veemente. Verdadeiros voluntários da solidariedade.
Não há cansaço físico, que impede seus arroubos de entusiasmo e alegria, no bem servir. A gratuidade do espírito. A paróquia e a fé. Assim nasceram as festas do Caxambu, da Roseira, da Toca, as Luzes da Ponte, a portuguesa da Vila Arens, a Trezena do Anhangabaú e Corrupira, a Vicentina do Retiro, a do Eloy Chaves. A veneração dos fiéis a São Roque, São Sebastião, Santa Rita de Cássia, São João Batista, Nossa Senhora da Conceição do Montenegro, Santo Antônio, São Vicente de Paulo, São Roque. Bom Jesus e São Genaro. Neste outono temos ainda a tão esperada italiana da Colônia, as tradicionais do bairro da Terra Nova comandada por Zé do Café, da bucólica Varginha e as festanças juninas espalhadas por todos os cantos.
Os fins de semana são marcados por um brilho e um entusiasmo jamais encontrados em festas de luxo e riqueza. A cozinha saborosa. A polenta regada de queijo parmesão, o frango a passarinho, a batata frita, a linguiça caipira, as saladas de folhas precoces, a leitoa pururuca, o delicioso nhoque, o macarrão com suas iguarias, os doces caseiros, os vinhos artesanais. Os preços acessíveis. Basta estar numa destes encontros para sentir a palpitação de vidas individuais. Nelas não há descrença. e nem lamúrias. Há luz nos olhos e sorriso nos lábios.
Há um punhado de gente, melhor ainda, seres humanos. Verdadeiros voluntários da bondade, impulsionados por uma corrente de extrema solidariedade. Se não me equivoco, essa é a grande potência destes bairros de Jundiaí, e seria um tremendo erro deixá-la perder ou mudá-la para outra forma de convivência. É partindo desta força, fonte que talvez se mal gasta e se dissipa, que se encontra a verdadeira riqueza de se viver em paz, consigo mesmo. Lições de generosidade. Bendita sejam estas ricas comunidades seduzidas pelo tesouro do amor ao próximo.

GUARACI ALVARENGA é advogado. E- mail: guaraci.alvarenga@yahoo.com.br

GUARACI ALVARENGA


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