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Guaraci Alvarenga: Tarde demais

GUARACI ALVARENGA | 14/06/2019 | 07:30

Mulher inteligente e bonita. Toda juventude foi cercada de amigos e muitos galanteios. Nos estudos, a convicção de uma carreira brilhante. Como toda doce moça aspirava aos encantos do amor. Haveria de encontrar com alguém, que pudesse compartilhar esta plena felicidade.

Estas histórias de amor, muito fáceis de encontrar em novelas e filmes, diferenciam-se em muito da realidade da sua vida. Ah! O trabalho, a faculdade e todo este corre-corre no cotidiano vedava os seus olhos para outras coisas, mais agradáveis.

Não obstante, conheceu um jovem garboso, a quem se dedicou com toda força da alma. A paixão pelo jovem era agora toda a sua vida. A vida entre os dois, assim pedia. Pareciam que tinham nascido um para o outro. Um casal perfeito.

Com o passar de algum tempo, o fogo do amor do jovem enamorado começou a enfraquecer. Uma frágil chama tentou resistir, mas não foi suficiente. Iludido, por perfumes sem essência, o homem deixou-se levar pelos aromas falsos da existência.
As lágrimas da companheira foram inevitáveis. Não poderia deixar de lado tudo àquilo que acreditava.

Compreendeu, entretanto que teria que superar a complicada crise. Sentiu a realidade que feria seu coração. Tudo fizera pelo amor. Como entender tanta ingratidão.

Não se deixou abater. A cada dia que passava, cobrava de si mesma mais ação e energia. Logo as luzes do seu talento foram acesas. Despiu-se, então, das vestes do passado. Não valeria guardá-las por coisas que, na verdade, nunca amou. Livrou-se da luxuosa moldura sobre a penteadeira. Encarou a vida, face a face, como deve ser enfrentada. Tornou-se uma nova mulher, mais madura, menos ingênua e mais bela.

Dia destes, pensando em seduzir seus sentimentos no dia dos namorados, o homem que ela amara, lhe telefonou. Enfermo de tantos revezes, só agora compreendia, que a cura dos seus males, encontrava-se no feliz passado. Ela percebeu que o havia esquecido. Nem se lembrara de sua voz. Sua lembrança fora sepultada há muito.

Ele insistiu. Tanto insistiu que se marcou um encontro. Esperançoso, reservou uma mesa no romântico restaurante, que a conheceu. Queria seu perdão. Queria tornar a viver com ela e voltar a ser feliz.

Ao entrar no romanesco restaurante, dirigiu-se a mesa reservada. Embaixo de um castiçal de prata, ornamentado com uma linda vela vermelha acesa, preso em uma de suas pontas, encontrou um pequeno bilhete, com os seguintes dizeres: “Voltaste tarde demais”

GUARACI ALVARENGA é advogado. E- mail: guaraci.alvarenga@yahoo.com.br


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