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Heitor Freddo: Copa São Paulo – o legado é pior que o resultado

HEITOR FREDDO | 13/01/2019 | 14:02

A participação do Paulista na Copa São Paulo 2018 é a prova de que ter um time comprometido e com raça não é garantia de sucesso no futebol. Muito se fala que os jogadores atuais não vibram em campo, não sabem a responsabilidade que têm e, muito menos, demonstram amor à camisa. Difícil medir com qualquer metodologia o que seria esse tal amor a um escudo, mas não se acomodar na partida é um bom indício. Porém, vontade e garra não garantem resultados.
Desde a primeira partida contra o Red Bull Brasil, o Galo teve um time com muita vontade. Isso foi suficiente para incomodar o time de Campinas e buscar um empate suado na segunda rodada contra o bom Porto de Caruaru. Mas na hora de mostrar futebol, o Paulista ficou devendo.
A safra da categoria de base atual é fraca. Jogadores com erros de fundamento básico como domínio de bola e finalização – problema crônico de um clube que há mais de 10 anos não revela um centroavante. Apesar de ser dono da casa, o Paulista era disparado o time com menos bagagem no Grupo 18 – o Red Bull disputa a primeira divisão estadual, o Porto é o atual campeão pernambucano e o Vila Nova tem confrontos mais importantes no Campeonato Goiano do que o Galinho viveu na segunda divisão Sub-20, quando foi eliminado no primeiro duelo mata-mata para o desconhecido Elosport.
Some a isso um treinador que também é inexperiente na categoria. Juninho Ortega tem experiência na base em uma realidade completamente diferente. Nas competições Sub-11 e Sub-13 não há nenhuma pressão por resultados – tanto que o Paulista foi goleado para o Palmeiras algumas vezes e isso não gerou crises. Já numa Copa São Paulo, com Jayme Cintra lotado e exposição nacional, a cobrança é equivalente ao time profissional. Juninho está adaptado a uma realidade de escolinha, onde erros de fundamento são analisados e aperfeiçoados. Na Copinha, jogadores abaixo da média são vaiados pelas arquibancadas – o meia Daniel que o diga. E não, a culpa não é do torcedor.
No futebol atual, um atleta de 20 anos precisa estar preparado para ser cobrado em alto nível. Ainda mais em um clube que tem no horizonte próximo um Cmapeonato Paulista da Quarta Divisão com limitação de idade.
Sinto informar, mas se não houver a concretização de uma parceria com o Red Bull – que hoje esbarra no Banco Fator pressionar a justiça a não autorizar o trâmite – essa é a base do time que terá a responsabilidade de tirar o Paulista do limbo. Claramente o investimento em atletas mais capacitados é necessário.
Não bastasse isso, o Paulista hoje não tem categorias Sub-15 e Sub-17. E o time de juniores segue em uma competição de baixíssima exposição – a segunda divisão estadual. O custo disso é a peneira em Jundiaí ser cada vez menos restritiva. Jogadores com mais qualidade sempre vão procurar clubes do interior com mais exposição, deixando os renegados a Jayme Cintra. Prova disso é que o craque da última temporada, o atacante Cuadrado, acertou a transferência para o Capivariano.
Enquanto o torcedor do Galo se preocupa – com razão – pelo que está por vir, a Copa São Paulo segue dando indícios de que esse será o ano das zebras. O Santos, clube que melhor revela no Brasil, foi eliminado para o União Mogi que passou vergonha da quarta Divisão. O Flamengo, que ostentava o título de fazer craques em casa, caiu na segunda fase. É uma pena ver o Paulista fora de uma competição em que poderia ir muito mais longe.

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