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Heitor Freddo: O Brasil precisa de Jorge Sampaoli

HEITOR FREDDO | 03/02/2019 | 07:00

Quando a escalação do Santos foi anunciada minutos antes do primeiro jogo do Paulistão contra a Ferroviária na Vila Belmiro, um leve desespero tomou conta do torcedor. Um time novo, cheio de desconhecidos, com alguns remanescentes que não convenciam – como o atacante Yuri Alberto – e outras apostas, como Felipe Cardoso e Orinho. Difícil dizer que aquele time seria a sensação do futebol brasileiro apenas duas semanas depois.
Jorge Sampaoli chegou ao Brasil cercado de interrogações. O treinador que era sonho de consumo de clubes europeus não passaria de uma grande ilusão? Essa foi a imagens construída após o fiasco da seleção da Argentina na Copa do Mundo. Mas está longe de ser um rótulo justo a um dos profissionais mais competentes da América Latina.
O Santos de Sampaoli compensa a falta de grandes estrelas com um trabalho tático que beira a perfeição. O torcedor apaixonado por futebol bonito não vê no Peixe jogadas geniais, grandes dribles ou malabarismos porque o elenco não oferece nenhuma peça com esse gabarito. Mas estão garantidas a cada rodada as triangulações eficientes, a disposição de marcar com as linhas avançadas os 90 minutos e a consciência de trabalho em grupo. Poucas vezes se vê um elenco tão fechado num projeto como está esse início de temporada no Santos.
Resultados ruins ainda vão acontecer inevitavelmente. Adversários mais fortes do que São Bento e Bragantino estão por vir. Mas o estadual já é um indício de que o potencial ainda pode ser desenvolvido. E o que me dá essa certeza? O clássico contra o São Paulo. Jorge Sampaoli montou o time para não deixar o rival se sentir confortável me campo em momento nenhum. Primeiro, com um time escalado no esquema 4-4-2, com Victor Ferraz e Orinho trabalhando como laterais. Um esquema que resultou em um Santos explorando o meio campo e abrindo o placar na primeira etapa.
André Jardine tentou então remontar o São Paulo. E o treinador, que ostentou publicamente ter estudado todas as estratégias possíveis do adversário, foi surpreendido quando Sampaoli deu um xeque mate. Assim que o Tricolor apostou em Diego Souza como um segundo centroavante fixo ao lado de Pablo, o técnico santista mudou seu esquema tático para 3-5-2, garantindo que os atacantes rivais estariam sempre marcados. Mas não bastava garantir a vantagem. Sampaoli queria o Santos na mesma pegada. A aposta foi Copete trabalhando como um ala, explorando o frágil corredor direito do São Paulo sem tanta preocupação de recompor o sistema defensivo. em poucos minutos o segundo gol saiu.
Sampaoli é um oxigênio novo no futebol brasileiro. Ele está longe de ser um revolucionário, com ideias completamente originais. Mas a coragem de bancar um padrão de jogo é algo raro no futebol brasileiro. Basta ver o quanto André Jardine cede às pressões de arquibancadas e vestiário nas escalações e alterações. O técnico argentino conseguiu reavivar o “DNA Ofensivo” que o Santos buscava desde 2016. E o clube ainda endividado e com péssima administração consegue voltar a ter um time protagonista. O Santos que tinha cara de rebaixado na pré temporada é um candidato forte ao título paulista e pode perfeitamente erguer um troféu da Sul Americana, por exemplo. Isso se a diretoria não atrapalhar.

HEITOR FREDDO

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