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Heitor Freddo: Sobrevivendo no inferno do Estadual da 4ª Divisão

heitor freddo | 05/08/2018 | 02:05

O Campeonato Paulista da Quarta Divisão é, indiscutivelmente, o inferno para um clube profissional que queira ter o mínimo de representatividade. Mas não precisa ser o atestado de óbito, desde que não se acostume a esse cenário. Clubes tradicionais experimentam anos amargos em todo o mundo – respeitando as devidas proporções. E no interior de São Paulo não é diferente.

Heitor Freddo

Camisas históricas têm se escondido num torneio que beira o amadorismo. E o meu grande receio é que o Paulista esteja se conformando com a atualidade. Construir um planejamento e respeitar os adversários são obrigações do Galo. Aceitar essa realidade como algo normal, não. Equipes tradicionais – como América de Rio Preto e União de Araras – “foram ficando” e acabaram aceitando os papéis de figurantes em São Paulo. O Paulista teve momentos de protagonista e não pode nunca deixar essa chama apagar.

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Isso não é arrogância nem desrespeito aos adversários. É um mantra que precisa ser repetido todos os dias em Jayme Cintra e compreendido por cada atleta que veste essa camisa. Eles têm a responsabilidade de subir o Paulista no maior desafio dessa história centenária. Até porque, em 2019, o campeonato que hoje já está pesado com camisas tradicionais receberá as companhias de Mogi Mirim, União Barbarense, Rio Branco e Marília. Tudo isso para as míseras duas vagas oferecidas pela Federação Paulista de Futebol para a Série A3.

O crime da FPF
Atendendo às vontades dos quatro grandes clubes do estado e da Rede Globo, a Federação Paulista condenou clubes históricos ao esquecimento. Não retirando as responsabilidades de administrações amadoras de décadas, ao reduzir a Elite para 16 clubes a FPF replicou o regulamento para as divisões de acesso, espremendo agremiações históricas em torneios minúsculo – como se o interior de São Paulo fosse comparável a outros estados.

Candidatura de oposição
Sabendo dessa indignação em todo o interior, o presidente do Bragantino, Marco Chedid, se lançou candidato de oposição à administração Reinaldo Carneiro Bastos na Federação Paulista de Futebol. A plataforma de campanha se baseava em dividir as riquezas dos cofres da FPF e fortalecer as divisões de acesso. Mas para seguir vivo com esse sonho, Chedid precisaria de, ao menos, cinco clubes da Série A-1 avalizando a chapa. Somente dois abraçaram a causa: o Bragantino (por motivos óbvios) e o Palmeiras, numa nítida provocação após a polêmica final do Paulistão deste ano.

Conversei com o presidente de um clube do interior que disputa a Série A-1 e o questionei: por que não embarcar no projeto? A resposta foi: “As promessas são impossíveis de serem cumpridas. Ainda mais por Marco Chedid”. Enquanto os clubes menores dependerem de antecipações de cotas e esmolas, como o projeto das trocas de ingressos por garrafas pet, a única escolha será aceitar regulamentos genocidas e trabalhar para sobreviver ao caos.


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