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Henrique Pellegrini: Eleições – o que nos resta

CARLOS HENRIQUE PELLEGRINI | 25/10/2018 | 07:30

Domingo celebraremos o momento máximo da democracia. Nosso voto é mais eficiente que uma manobra jurídica, que um processo de impeachment ou até mais poderoso que um golpe. Com o voto, varremos do poder os que a massa não mais deseja e colocamos no poder quem queremos.

Mesmo com a terrível polarização dos candidatos nas duas esferas e a ausência de propostas, ainda estamos jogando o jogo da democracia. Ruim? Ainda o melhor dos regimes, pois com a democracia o povo é soberano, pode construir, mudar o País. Nesse segundo turno confirmamos o fim de uma grande virtude dos brasileiros, a unidade nacional. Faz 14 anos que vivemos um processo de doutrinação, da nomeação dos personagens “nós e eles”.

Sempre me pergunto quem são “nós e eles”? O que todos querem não é o mesmo? Educação de qualidade, saúde para todos, segurança pública, reforma fiscal, reforma política, sustentabilidade… Seja lá quem passar pelo funil das urnas nesse segundo turno terá que governar para todos e não para maioria que o elegeu. Bom lembrar que governar no sistema republicano é governar com o Congresso na esfera estadual e federal, tarefa que não será fácil para nenhum dos candidatos ao governo do Estado e muito menos para a Presidência da República.

Nunca antes candidatos finalistas tiveram tanta rejeição, fato que deriva da terrível divisão que impuseram aos brasileiros. A primeira missão do novo governador de São Paulo e do presidente eleito, logo após o fechamento e anúncio de vitória, deverá ser um apelo pela união dos brasileiros. Detalhar a proposta de governo, montagem da equipe virá depois dessa indispensável e dura missão.

Intriga-me como os candidatos se portarão nesse momento, sem falar como pretendem dialogar com a Câmara e o Congresso, internamente mais divididos que nunca. Tempos difíceis virão, não será nada fácil reconstruir o “País do Futuro”. Para você que não sabe ainda em quem votar nesse domingo, reflita sobre como poderia ser pior se ao invés de estarmos escolhendo candidatos, estivéssemos assistindo a imposição de um tirano.

Quanto aos candidatos a presidente, uma dica útil, conheça a biografia dos vices. Oito dos trinta e sete presidentes que o Brasil teve ao longo de sua história republicana foram vices que assumiram o cargo: Floriano Peixoto, Nilo Peçanha, Delfim Moreira, Café Filho, João Goulart, José Sarney, Itamar Franco e Michel Temer.

CARLOS HENRIQUE PELLEGRINI é professor universitário e diretor de Gestão Empresarial e de Sucessão Familiar da Maxirecur Consulting / pellegrini@maxirecur.com.br

ARTICULISTA CARLOS HENRIQUE PELLEGRINI


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