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Homens pais

MARGARETH ARILHA | 07/08/2019 | 07:30

A mudança é visível! Os homens hoje em todos os estratos econômicos, de todas as idades, estão se dedicando muito mais a seus filhos, não apenas como provedores econômicos, mas como educadores de experiências de vida. Cerca de três décadas atrás, um forte processo de mobilização foi instalado culturalmente na sociedade, pelo feminismo. Esgotadas de um processo que as definia como responsáveis exclusivas pelas tarefas domésticas e cuidado dos filhos, discursivamente exigiam, no Brasil e no mundo, a necessidade de se contar com homens parceiros, responsáveis por transformações na condução de seu desejo, suas opções afetivas, decisões sexuais e reprodutivas, ou seja, homens comprometidos quer seja com a decisão de ter quanto de criar filhos.

A Conferencia Internacional de População e Desenvolvimento do Cairo, organizada pela ONU em 1994, que neste ano completa 25 anos, deu bastante destaque a essa agenda. No Brasil, ONGs e alguns grupos de mulheres incorporaram ou incrementaram tais perspectivas, como foi o caso da ECOS/GESMAP, Instituto Papai, CES em Santo André, Coletivo Feminista Sexualidade e Saúde, Pro Mulher, especialmente com homens violentos, em processos de reflexão e mudança. A Academia também se debruçou sobre as mudanças comportamentais dos homens, seja no campo da sexualidade quanto no do estudo das famílias. A mídia foi extremamente parceira naqueles tempos estimulando e criando espaços para a transformação em curso.

Imagens de pais participativos forma essenciais para inspirar e criar processos de autorização interna em cada um, para desempenhar novos comportamentos, especialmente menos violentos e mais afetivos, sem temer que isso pudesse gerar uma visão de si menos masculina. É muito fácil hoje reconhecer mudanças. Os pais são outros. Claro, nem todos. Nem todos da mesma maneira. No entanto, a renovação dos padrões culturais das novas gerações, a flexibilização do mercado de trabalho, incorporando mais mulheres, em todas as etapas, as famílias cada vez menores e com menor apoio para o cuidado de crianças, são aspectos que aceleraram e reforçaram tais mudanças.

Olhe a seu redor e constate: você vai se surpreender. Parabéns Homens Pais. Deixe a gurizada curtir seus jogos, gaste tempo de conversa com seus filhos, ensine contando histórias de sua própria vida. Compartilhar cuidados faz muito bem a saúde física e mental de todos e os benefícios gerados são direitos adquiridos.
Aproveite.

MARGARETH ARILHA é psicanalista e pesquisadora do Nepo (Núcleo de Estudos em População Elza Berquo), da Unicamp.


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