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Homens que souberam envelhecer

GUARACI ALVARENGA | 05/06/2020 | 05:29

Em maio morreu, aos 96 anos, o cardiologista mais velho em atividade no Brasil. Com 70 anos de medicina, dr. Orandy Foelkel Congiglio escreveu seu nome com um brilhantismo incomum, como médico e ser humano. Era uma figura admirável. Sua grandeza pessoal e dedicação consciente e permanente à cardiologia, que abraçou, fizeram dele o melhor logotipo do profissional nesta especificação humana

Orandy se formou em 1949. No ano passado, o portal G1 publicou matéria sobre o médico, apontando-o como “o cardiologista mais antigo ainda em atuação no país”. O texto afirma que, em 1950, ele foi escalado para a inauguração do Maracanã, que iria sediar a Copa do Mundo daquele ano. Ele tinha acabado de se formar pela Faculdade Nacional de Medicina.

Honra maior ocorreu no ano passado, quando o cardiologista que foi homenageado durante a 40ª edição do Congresso Anual da Sociedade de Cardiologia do Estado de São Paulo. “Será a primeira vez que um médico da cidade terá esta honra, logo na abertura do evento”, disse o presidente da Regional da entidade. O prefeito municipal Luiz Fernando Machado, por sua história de vida inspiradora, lhe prestou uma nobre homenagem. Seu traço pessoal que mais se destacava era o modo simples de ser e viver. Foi o primeiro médico na cidade Jarinu e passou atender também os clientes de Itupeva.

Com a partida de Orandy, fica-nos a bela lembrança de um dos maiores médicos que Jundiaí conheceu, o que chamou de minha terra querida.

Ontem mesmo, alguém me perguntou qual a memória mais nítida que tenho do amigo Ademar Saccomani. Pois não há uma, mas dezenas. Conheci o nobre advogado quando integramos a diretoria do Clube. Foi o diretor jurídico. Trabalhou muitos anos na DAE, e foi diretor da OAB/Jundiaí.

Advogado, tinha um aprumo ético. Estimulou-me ao curso de Direito e sempre me tratou como colega, opinando com humildade e simplicidade. Não só comigo, mas com todos, na devoção aos clientes, a forma de lidar com os humildes, a sua simpatia, o seu senso de humor. Mas se o Dema, como carinhosamente era tratado pelos com que conviviam, era um advogado respeitado, foi também um grande companheiro no convívio social, principalmente na prática do futebol.

Participava dos jogos, como grande zagueiro que foi, tanto no Clube como nos campeonatos da OAB. Nestes últimos anos foi um exemplo como enfrentar o maior desafio que o tempo e o destino colocam à frente de todos nós. Um dos melhores exemplos de como devem se portar os atingidos pela moléstia. Continuou na ativa, até o limite de sua condição humana.

GUARACI ALVARENGA é advogado.


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