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Independência ou morte, quando?

CARLOS HENRIQUE PELLEGRINI | 12/09/2019 | 07:30

Faz 197 anos, sem cavalo branco, “Dragões da Independência”, fardões, espadas em punho, pompa e circunstância, nada com o quadro, “Independência ou Morte”, encomendado pela família real a Pedro Américo, provavelmente inspirado no quadro “A Batalha de Friedland”, de Ernest Meissonier de 1875, no qual o autor retrata a vitória de Napoleão na batalha homônima. Compromisso de luta e sangue de Tiradentes e os inconfidentes, General Latut, a religiosa Joana Angélica, Lord Cochrane, Maria Guitéria, Madeira de Melo, Visconde de Pirajá, José Bonifácio, a apaixonada Imperatriz Leopoldina, o idealista D. Pedro I com o Rei de Portugal, seu pai, D. João VI, e muitos populares. Foi quando em tese deveríamos conquistar nossa autonomia política. Muitas tentativas anteriores ocorreram e muitas pessoas morreram na luta por este ideal que até hoje não conquistamos, somos reféns de quadrilhas e o povo sofre. Não foi o Lulopetismo que inventou o assalto aos cofres públicos, a bandalheira, os planos mirabolantes para se eternizar no poder, o usufruto do público como privado, desde sempre foi assim. Em 9 de janeiro de 1822, D. Pedro I recebeu uma carta das cortes de Lisboa, exigindo seu retorno para Portugal. Há tempos os portugueses insistiam nesta ideia, porém, D. Pedro respondeu negativamente e proclamou: “Se é para o bem de todos e felicidade geral da nação, diga ao povo que fico.” Após o Dia do Fico, D. Pedro tomou uma série de medidas que desagradou a metrópole, pois preparavam caminho para a independência do Brasil. Convocou uma Assembleia Constituinte, organizou a Marinha de Guerra, expulsou as tropas de Portugal, etc.

Determinou também que nenhuma lei de Portugal seria colocada em vigor sem a sua aprovação. Além disso, conclamou o povo a lutar pela independência. O príncipe fez uma rápida viagem à Minas Gerais e a São Paulo para acalmar setores da sociedade que estavam preocupados com os últimos acontecimento, pois acreditavam que tudo isto poderia ocasionar uma desestabilização social. Durante a viagem, D. Pedro recebeu uma nova carta de Portugal que anulava a Assembléia Constituinte e exigia a volta imediata dele para a metrópole. Em 7 de setembro de 1822, proclamou e divulgou nossa “Independência”. No mês de dezembro de 1822, D. Pedro foi declarado imperador do Brasil. Hoje temos inconfidentes e “Pedros” a menos, Cortes e Coroas tiranas a mais, assim como povo, ficando mais uma vez, mudo e pálido.

CARLOS HENRIQUE PELLEGRINI é professor universitário e Diretor de Gestão e Sucessão Familiar da Maxirecur Consulting, pellegrini@maxirecur.com.br


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