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Eduardo Carlos Pereira: Iniciativas emblemáticas e de vanguarda

EDUARDO CARLOS PEREIRA | 31/03/2018 | 03:42

Parece que a cidade pegou mesmo carona na onda de cidades inteligentes (“smart cities”) e tem colhido alguns bons frutos, como mostrado neste jornal na quarta-feira (21), com evento em que Jundiaí assinou um termo de cooperação com a multinacional Siemens para uso de um conjunto de ferramentas (“tools”) visando a redução de gases poluentes até o ano de 2030.

De acordo com a nota, Jundiaí é a terceira cidade da América do Sul a aderir ao termo. Essa aproximação confirma outros pontos de que, ouvi dizer, Jundiaí está buscando soluções de “startups” nos maiores centros de inovação do Brasil. É bom pressentir que a cidade continua seguindo em frente na área de tecnologias. Afinal, sobre essas atitudes pioneiras lembro que, recentemente, o rio Jundiaí teve sua maior nota de qualidade das águas. Há 30 anos, era um rio condenado por despejo de esgotos residenciais e efluentes industriais e a partir de 1980 teve uma ação extremamente inovadora e corajosa de iniciar um eficiente programa regional de despoluição. A ponto de hoje ser possível abastecer uma parte de Salto de Itu, que logo ao lado tem o rio Tietê com a nota de rio mais poluído do Brasil.

Apenas ficando no assunto da água, temos antecedentes históricos já na metade final do século 19 sobre a cidade estar entre as primeiras do país a se preocupar com o saneamento básico. Voltou a ficar em destaque desde 1998, quando foi inaugurada a estação de tratamento de esgotos (ETE). E na crise hídrica de 2014-2015 voltou a ser famosa ao não enfrentar racionamento de água, comum no estado de São Paulo. Tudo isso indica um planejamento de longa data da própria cidade, que agora está anunciando (também neste jornal) planos de ampliação de reservação de água com investimentos previstos de 80 milhões de reais. É preciso ser realista. Mas com essa medida ganharemos, além dos dois meses que temos garantia de água em estiagem extrema, mais outro. Ou seja, três meses de abastecimento em situações crônicas para a população atual.

Tanto empenho e tanta vontade política real de tornar a DAE uma referência nacional na gestão das águas, e mesmo com todas as ferramentas de gestão, me parece desagradável falar de impasses na comunicação das contas. Mais exatamente, da leitura imediata feita no hidrômetro, com a entrega da conta ao consumidor. Uma conta não entregue, porém, mostra que nem sempre é o melhor caminho e a conta pode nem chegar ao conhecimento do cliente. Se recebida em nossos celulares, havendo vazamentos, o consumidor saberá imediatamente e tomará as providências necessárias. Fica a sugestão.

Um planejamento competente, com avaliação e revisão, é necessário sempre. E interesses políticos e econômicos menores não devem alterar negativamente as iniciativas promissoras. Espero que as “startups” tenham mesmo lugar seja no Plano Diretor, no DAE ou na Cidade Inteligente, como aparentemente estão fazendo. Vamos acreditar nessa continuidade!

EDUARDO CARLOS PEREIRA é arquiteto e urbanista, autor do livro “Núcleos Coloniais e Construções Rurais”. Foi presidente do Conselho Municipal do Patrimônio Cultural de Jundiaí (Compac), de 2008 a 2011, e conselheiro do Compac, de 2014 a 2016. É membro do Icomos – Conselho Internacional de Monumentos e Sítios


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