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José Márcio Rego: O banqueiro Fernão Bracher

JOSÉ MÁRCIO REGO | 22/02/2019 | 07:30

Fernão Bracher (1935-2019) foi um homem e banqueiro exemplar que pautou sua vida por princípios éticos baseados na justiça. Depois do Escritório Pinheiro Neto, seu primeiro emprego em banco foi no Banco da Bahia. Depois participou da direção de outros grandes bancos brasileiros, e afinal decidiu criar o seu próprio Banco fundando o BBA (iniciais de Bracher, Beltran e Arida) de grande sucesso, depois vendido ao Banco Itaú, presidido hoje por seu filho Candido Bracher e que em 2018 deu o maior lucro de sua história.
Nos anos 1970, ele foi o diretor da área internacional do Banco Central. No início dos anos 1980, sua casa era o ponto de encontro dos economistas que formularam a teoria da inflação inercial (Bresser, Nakano, Edmar Bacha, André Lara Rezende, Pérsio Arida, que afinal foram bem-sucedidos no Plano Real (1994).
Após a transição democrática, Fernão foi presidente do Banco Central na gestão Dilson Funaro. Quando, em 1987, Bresser-Pereira se tornou Ministro da Fazenda, voltou a Brasília como Assessor Especial do Ministro, onde trabalhamos juntos na equipe de Bresser.
Fernão e Bresser tinham muitas coisas em comum – essencialmente o compromisso cristão com a solidariedade e o compromisso republicano com o interesse público. Mas Fernão foi sempre um conservador esclarecido, um homem de centro-direita. Em relação às propostas, ele era mais prudente e conservador do que Bresser, e moderava seu entusiasmo.
Era admirado por sua inteligência, sua visão ética do mundo e das coisas, sua fidalguia na relação com os amigos, e pela extraordinária família que construiu com sua adorável esposa, Sonia. Fernão e Sonia tiveram cinco filhos, um banqueiro, uma escritora, um médico, uma artista plástica, e um arquiteto. Sua mãe, Dona Zila, era da aristocrática família Arruda Botelho; seu pai, Eduardo Bracher, um comerciante bem-sucedido de origem Suíça. Fernão era um aristocrata na educação e nos gostos mas entendeu desde cedo a vida dos negócios.
Fernão tinha amor pelo Brasil e especialmente por São Paulo. Era um nacionalista – entendia que o desenvolvimento de um país depende dele próprio, de seus governantes, de seus empresários, de seu povo, de sua capacidade de poupar e investir. Entendia que estava ajudando a construir uma nação. Primeiro, através do desenvolvimento econômico, segundo, por meio da democracia, terceiro, contribuindo para que ela se tornasse menos injusta. Com esses objetivos em mente, nos últimos anos, Fernão se dedicou à educação pública nacional, principalmente ao desenvolvimento do ensino técnico no nível médio. E logrou que o Brasil avançasse nesse campo.
Fernão Bracher teve uma bela vida, cheia de amor à família, de lealdade e apoio aos amigos, de compromisso com o Brasil. Seus amigos terão sempre, como uma referência para as nossas próprias vidas.

JOSÉ MÁRCIO REGO é Graduado em Economia e Adm. Publica pela FGV – SP , Mestre em Ciência Política pela UNICAMP, e Doutor em Economia pela FGV – SP (1997). Docente na Graduação e Doutorado da FGV – SP e Prof. Visitante na UBA (Univ. de Buenos Aires).

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