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Renato Nalini: Vida, Morte e Luto

JOSÉ NALINI | 17/02/2019 | 07:30

Esse o nome do livro que a psicóloga Karina Fukumitsu escreveu para ajudar a prevenir algo que está preocupando a todos: o suicídio. Ela é doutora pelo Programa de Pós-Graduação em Psicologia Escolar e do Desenvolvimento Humano pela USP e já escreveu outro livro: “A vida não é do jeito que a gente quer”. Ela também coordena o RAISE – Ressignificações e Acolhimento Integrativo do Sofrimento Existencial, programa com o qual ampara parentes e amigos de suicidas.
Ela vivenciou a experiência de mãe suicida. Sabe a dor dos que ficam, que se culpam. Só que o suicídio não tem culpados. É preciso trabalhar com os que estão perplexos, atônitos e desenvolvem um sentimento de remorso que torna a dor ainda mais angustiante.
O trabalho de Karina aumentou bastante nos colégios paulistanos, onde tem acontecido mais suicídios do que seria esperado. Ela conversa com os pais do suicida, depois com os professores, finalmente com os alunos. É algo difícil, porque as pessoas têm a indesejável proximidade com a própria finitude. Vendo o jovem morrer, lembra-se de que um dia a gente também vai morrer. Daí o desenvolvimento de um programa de enfrentamento de adversidades, acolhimento de sentimentos, valorização da vida. Há uma prevenção e também a posvenção. Depois do suicídio. Aqui, ela atua naquilo que provocou a dor dos que sofrem pela partida inesperada de quem tirou a própria vida.
O suicídio hoje é a segunda causa de morte no mundo, entre jovens de 15 a 29 anos, de acordo com a Organização Mundial da Saúde. Há algo de errado na nossa era? Para Karina, o suicídio sempre aconteceu. Mas vivemos uma época em que precisamos prestar mais atenção nos jovens, dar mais tempo a eles e tempo de qualidade. Verificar se estão baixando aqueles aplicativos de Baleia Azul e outros que propõem como derradeira tarefa a prática do suicídio. É urgente se aproximar de quem se ama, porque aí se conseguirá algo. Senão, vamos continuar a enfrentar esse enigma terrível, o daquele que elimina a própria vida, encontra a morte e deixa como herança o luto de quem o amava.

José Renato Nalini é Reitor da Uniregistral, docente da Pós-Graduação da UNINOVE, autor de “Pronto Para Partir-reflexões jurídicas sobre a morte”

Foto: Divulgação

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