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José Renato Nalini: “Brasil: narcopaís?”

JOSÉ RENATO NALINI - sociais@jj.com.br | 08/03/2018 | 05:25

O Brasil é o maior consumidor de crack do planeta. O segundo usuário de cocaína. O maior entreposto de droga em funcionamento e em expansão na Terra. E teima-se em ignorar a calamidade, como se este fosse o melhor dos mundos. Por que o Rio de Janeiro chegou a esse estágio? Por causa do tráfico. E é só lá que existe essa metástase? Não. Ela está muito perto. O drama é que os mentores e responsáveis pela situação não andam de uniforme. Não têm carimbo na testa. Transitam naturalmente entre nós. Passam por pessoas respeitáveis. Para pôr cobro ao descalabro, o alvo é sempre o mesmo: o governo. O Estado nada faz. Ele é que tem obrigação. Ele é que deve agir. E a responsabilidade de quem acha que um “baseado” é algo normal, que relaxa e deveria ser tolerado? Por que não se encoraja e não lidera um movimento para a liberação geral das drogas?

HOMENAGEM DOUTOR JOSE RENATO NALINI NO FORUM

A verdade é que para receber a sua porção de marijuana ou de cocaína, ele participa da grande rede criminosa que também diversifica suas atividades. Tráfico de drogas, de armas, de órgãos humanos, de crianças para pedófilos, de seres-objetos sexuais para todos os gostos. Uma intervenção federal na segurança do Rio de Janeiro é um gesto simbólico, mas não tem o condão de resolver a questão da violência, da crueldade crescente, do uso de armas pesadas e privativas das Forças Armadas pela bandidagem que zomba do sistema. A segurança pública é outra das pautas muito cobradas pela população, mas negligenciada por aqueles que também são responsáveis por ela. O artigo 144 da Constituição da República é muito claro: a segurança pública é dever do Estado, direito e responsabilidade de todos. O que é que cada um de nós faz para tornar sua rua, seu bairro e sua cidade mais segura?

Para a maioria, isso não é problema a ser enfrentado pela população. É questão para o governo resolver. Para os que podem, carros blindados, condomínios com verdadeiras casamatas e contratação de segurança. É suficiente? Ou o mal está à espreita e, sorrateiramente, com excesso de crueldade, ele não chegará e não nos vitimará ou a alguém que nós amamos? Acorde, Brasil! Se a sociedade não assumir o protagonismo dessa cruzada, não haverá saída para esta Nação de tantos sonhos e de incomensurável retrocesso.

JOSÉ RENATO NALINI é secretário estadual de Educação


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