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José Renato Nalini: Cansaço do material

josé renato nalini | 09/08/2018 | 06:00

Pergunte a qualquer pessoa o que ela pensa da política e a resposta não surpreenderá. Nunca antes neste país a atividade político-partidária mereceu tanta repulsa. O assalto ao erário provocou ojeriza e asco. O “fundo do poço”, além de escuro, é nojento. Entretanto, 2018 é ano de eleição. Eleger-se-ão presidente da República, governador, senadores e deputados. O que é que outubro reservará a este Brasil cansado de sua democracia representativa?

Tudo indicaria que os políticos profissionais não teriam vez. Mas o sistema cuidou de reservar o Fundo Partidário para os mesmos. O dinheiro que pagará o horário eleitoral “gratuito” é do eleitor. Mesmo sem querer, terá de engolir a sensaboria das mediocridades em desfile, nas promessas que não serão cumpridas, no ataque aos adversários e na autopropaganda da qual o bom gosto foi sumariamente extirpado.

Foto: Divulgação

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O paradoxo é que os cansados da política vão eleger aqueles que já estão na política. Não há lugar para o novo. Até porque o novo mesmo não quer saber de política. Muitos analistas, cientistas políticos, politólogos, marqueteiros, jornalistas e especialistas em eleições oferecem análises e palpites. O comum em todos eles é que não haverá renovação. A política é um espaço profissional. Daqueles que se especializaram em viver da vida pública.

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Qual a utopia em relação à presidência da República? A de que o candidato mirasse o futuro e não o passado. Sabemos todos o que aconteceu com o Brasil entregue à sanha delituosa que o arremessou na indigência moral e na quase miséria financeira. Agora o povo precisa é de esperança. Há remédio para esta situação? O que o presidente a ser eleito poderá fazer?

O discurso vencedor deverá abominar a política. Ao menos como ela é. Prometa implementar a democracia participativa. Introduza o “recall”, o veto popular, reduza a máquina que, de tão inflada, está inerte, deficiente, defasada e anacrônica. Olhos no porvir, ódio à política partidária, empoderamento popular. Esse o tema que poderá conquistar o voto do desiludido e do descrente. Se não for isso, vencerá o medo. Pois a mesmice não atrai nenhum brasileiro neste triste e angustiante ano de 2018.

JOSÉ RENATO NALINI é desembargador, reitor da Uniregistral, escritor, palestrante e conferencista


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