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José Renato Nalini: Como vai a Mata Atlântica?

JOSÉ RENATO NALINI | 05/08/2018 | 01:50

A SOS Mata Atlântica, ONG da qual tive a honra de ser conselheiro durante alguns anos, divulgou novas informações em relação ao que aconteceu com esse importantíssimo bioma brasileiro entre 2016 e 2017. Aduz a entidade haver motivo para comemorar. Afinal, este ano registra o menor valor total de desmatamento da série histórica do monitoramento realizado em parceria com o INPE. É uma queda de 56,8% em relação a 2015-2016. Neste último ano, o de 2017, a destruição atingiu 12.562 hectares, ou 125 km2 nos 17 estados do bioma. Entre 2015 e 2016, o desmatamento foi de 29.075 hectares.

Foto: Divulgação

Foto: Divulgação

Não há uma certa nostalgia em se festejar a continuidade da destruição? Fico bastante constrangido com o verbete “comemorar”. Na verdade, o Brasil continua a desmatar. A destruir um patrimônio que não construiu, mas que foi obra da natureza ou da Providência, conforme se queira. Celebração mereceria o crescimento da Mata Atlântica, num dificílimo processo de devolução daquilo que dela subtraímos. É chocante a constatação de que a nacionalidade não mostra indignação, nem se revolte ante esse escandaloso atestado de profunda ignorância e lamentável cupidez. O que justifica a constante e cruel eliminação da biodiversidade, a construção de um deserto, quando a ciência comprovou que o aquecimento global é nefasto e resulta da insânia humana?

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Somente o Brasil deixou de perceber que a preservação da floresta é muito mais rentável do que sua destruição para o aproveitamento da madeira, ou para o plantio de cana-de-açúcar ou soja, formação de pasto ou, pior ainda, formação de novos núcleos urbanos. O ideal seria não só o desmatamento zero, o que alguns estados estão tentando alcançar, mas a reposição das espécies florestais dizimadas. Formar bosques, recuperar as chagas abertas pela inclemência, fazer ressurgir os cursos d’água e permitir que a fauna silvestre volte a preencher de vida o seu natural habitat. Miserável raça a dos humanos: autodenomina-se a única espécie racional. Mas age de forma bárbara, inferior aos irracionais, que nunca seriam capazes de destruir seu ambiente, com isso abreviando a aventura existencial sobre este frágil planeta.

JOSÉ RENATO NALINI é desembargador, reitor da Uniregistral, escritor, palestrante e conferencista


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