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José Renato Nalini: ‘Fake news’ já cansou

JOSÉ RENATO NALINI | 17/06/2018 | 05:00

Há temas na mídia que repercutem, são reiterados, geram artigos, ensaios, reportagens e entrevistas. De tanto ler o assunto, há quem de imediato pule a notícia que o mencione. É o que está a acontecer com as “fake news”, ou notícias falsas, que balançam democracias porque podem alterar o resultado de escolhas feitas pelos eleitores.

Acontece que é da natureza humana disseminar coisas ruins. Experimente falar bem de alguém. A conversa logo toma outro rumo. Não excita a curiosidade, nem causa empolgação reconhecer qualidades ou virtudes num semelhante. Agora, se o assunto é enxergar desvios, fissuras de caráter, maldade ou vício, uma patologia ou algo ainda mais inconfessável, não se vê o tempo passar. O diálogo rende e prospera. A cada retorno, acrescenta-se um elemento novo. Têm razão os que dizem: “Quem conta um conto, aumenta um ponto”.

O resultado da disseminação de falácias pode ser ruim para todos. Frustra a tentativa de selecionar os melhores da espécie para gerir o bem comum. Faz com que a democracia, o pior modelo de governo, à exceção de todos os demais, não atenda às mínimas expectativas que ainda despertam na desalentada turba órfã de líderes confiáveis. Por isso é que alguns setores, preocupados com a persistência da divulgação de inverdades na mídia espontânea e nas redes sociais, elaboraram os “10 mandamentos para identificar notícias falsas”. Não custa mencioná-las, para quem ainda se interessa pela questão. São eles:

1. Desconfie das manchetes. Em regra elas são chamativas, chocantes, aparentemente absurdas. É um começo para considera-las falsas;
2. Verifique atentamente o link. A imitação de fontes com modificações mínimas é indício de fraude;
3. Investigue a fonte. Quem é que escreveu a reportagem? Qual sua proveniência? Você confia na origem?
4. Observe se a formatação é incomum. Às vezes o caluniador, o injuriador, o difamador é tosco. Não conhece regras ortográficas. Se constatar erro, descarte;
5. Atenção às imagens. Podem ser manipuladas. Ou fora do contexto;
6. Confira as datas. Notícias falsas podem ostentar datas que não fazem sentido ou com proposital alteração;
7. Cheque as evidências. Verifique se os elementos que sustentam a notícia a confirmam;
8. Procure outras reportagens. O fato é noticiado por outros veículos? Compare;
9. A história é uma brincadeira? Pode ser gozação ou vontade de fazer humor. Ainda que de mau gosto;
10. Algumas histórias são intencionalmente falsas. Seja crítico. Não compartilhe algo que destrói reputações, carreiras, perfis ou conceitos de pessoas que você não conhece.

HOMENAGEM DOUTOR JOSE RENATO NALINI NO FORUM

 

 

 

 

 

JOSÉ RENATO NALINI é desembargador, reitor da Uniregistral, escritor, palestrante e conferencista


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