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José Renato Nalini: Foi bom. E daí?

JOSÉ RENATO NALINI | 01/07/2018 | 04:30

Recente publicação dá conta do progresso propiciado pela excelência das rodovias paulistas. O sistema de concessão deu certo. Ouvi inúmeras vezes que “o povo gosta de estradas boas”. A Bandeirantes é uma das melhores do mundo. Supera similares de países do Primeiro Mundo. O ISS – Imposto Sobre Serviços – gerado pela concessão é motivo de comemoração. Campinas recebeu R$ 164,6 milhões e Jundiaí, R$ 163,8, enquanto que Limeira está em terceiro lugar, com R$ 151,7 milhões desde o início da outorga à concessionária.

O PIB também recebeu uma injeção. Em 1999, Campinas já era a 3ª cidade no ranking estadual e contribuía com o PIB em 11,4%. Mas em 2015, conservando sua posição, já ostenta um PIB de 56,4%.

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Para Jundiaí, o crescimento foi ainda mais expressivo: era a 11ª cidade estadual em 1999, com 4,8% do PIB. Em 2015 é a 7ª, com 39,7%. Em termos de comparação do PIB com a população, o crescimento entre 1998 e 2015 foi de 728% para Jundiaí, que hoje possui aproximadamente 409.497 habitantes.

Tudo é importante e merece celebração. Mas as concessionárias, que são empresas privadas e portanto pensam melhor do que as administrações públicas, sujeitas ao interesse imediato da eleição e da transitoriedade das gestões, precisam estar atentas.

Estamos imersos em plena 4ª Revolução Industrial. Somos dominados pelos algoritmos. O Watson, da IBM, não é apenas um supercomputador. É uma plataforma de serviços que já transformou a realidade e continuará a fazê-lo com velocidade cada vez maior. Estamos preparados para o amanhã?

Um amanhã que está sendo bem planejado em outros hemisférios. A China teve um desenvolvimento recorde e está cuidando melhor do seu ambiente. Acelera a utilização de combustíveis sustentáveis. O mesmo ocorre na Alemanha, onde – daqui a dez anos – não se utilizará mais diesel, nem gasolina.

O veículo autônomo é uma necessidade cuja urgência precisa habitar a consciência de qualquer pessoa com responsabilidade e com poder e autoridade para mudar o lamentável quadro que é fornecido pelas estatísticas: um milhão de mortes anuais no trânsito. 99,9% das perdas no trânsito derivam de causa humana.

Ou seja: no momento em que não tivermos mais motoristas, mas um sistema controlado pela IA – Inteligência Artificial -, economizaremos vidas e também recursos públicos investidos na recuperação dos milhares de feridos.

Estarão as concessionárias pensando nesse amanhã que pode vir mais cedo do que se pensa?

JOSÉ RENATO NALINI é desembargador, reitor da Uniregistral, escritor, palestrante e conferencista

Foto: Divulgação

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