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José Renato Nalini: Geralda Yarid

JOSÉ RENATO NALINI | 17/05/2020 | 05:45

Foi-se mais uma amiga. A “indesejável das gentes” continua sua missão de levar para o etéreo os viventes. E levou Geralda Yarid, que foi tão atuante em uma Jundiaí que já não existe mais.

Ela era ativa, dinâmica e enfrentava todos os desafios. Conheci-a desde sempre. Já nem sei mais como e quando foi que nos tornamos amigos. Mas me lembro de sua liderança a comandar as “vinhateiras” da Festa da Uva, que era liderada por Jacyro Martinasso. A sede do evento funcionava na “Mansão Storani”, em frente ao Cine Ipiranga, cedida pela família. Ali, o quartel general comandado por Geralda. Firme, nascera para mandar. Todos a obedeciam e tudo funcionava, porque era disciplinada, não hesitava e não tinha preguiça.

Atuou também nos festivais do Clube Jundiaiense, aqueles encontros nos quais brilhavam os talentos locais. Só para ficar com os que também se foram, quem não se lembra do Wagner Moraes Oliveira, do Antonio Carlos Oliveira Mello, o “Melinho”, o Gilberto Fraga de Novaes, o “Giba” e seu irmão Antonio Edmundo, o “Delega”? O violão também produziu o Flavinho Della Serra. Todos tão precocemente levados para o além.

Geralda e Eduardo Souza Filho, o “Mano”, comandavam os “artistas” e os shows eram concorridos. Jundiaí toda se conhecia. Ela também gostava dos Carnavais. Participava da formação de blocos e, àquela época, os grupos se fantasiavam para cinco dias, quando não, ainda desfilavam nos carros alegóricos.

A par disso, ela cuidava do comércio familiar e era eficiente administradora do negócio e da casa. Nascera para comandar. Não por acaso, morava na Marechal.

Nunca se casou, não teve filhos, mas vibrava intensamente com a sobrinha Andréa. E “comprava a briga” de seus amigos. Estes não tinham defeito. Ela podia recriminá-los quando entendia que pudessem ter errado. Mas alguém de fora era escorraçado se ousasse criticar a sua roda.

A humanidade está perdendo espécimes predestinadas, que serviam aos coetâneos com naturalidade, assumindo posturas generosas, solidárias e fraternas. Sem qualquer interesse, mas com largueza e devotamento. Lembro-me de Eloisa Lotierso, alma voltada à prática diuturna do bem e de Mariazinha Congílio, a quem Jundiaí tanto deve, ambas ainda credoras de homenagens que não vieram à altura de seu mérito.

Mais triste ainda, estes tempos sombrios impediram despedidas e presença ao sepultamento. O que ela estará achando disso?

JOSÉ RENATO NALINI é Reitor da Uniregistral, docente da Pós-graduação da Uninove e Presidente da Academia Paulista de Letras – 2019-2020.


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