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José Renato Nalini: Nascemos para perder?

JOSÉ RENATO NALINI - opiniao@jj.com.br | 04/03/2018 | 05:30

A sociedade competitiva exige que sejamos todos vencedores. A influência da cultura ianque nos impele a sermos “winners”. Mas sem esforço e vontade, não se chega lá. É comum que as pessoas se sintam perdedoras. Ninguém nasce para perder. Alguns têm referências fortes e firmes. Impulsionam, estimulam, ajudam. Mas também têm de criticar. É preciso ter disposição para abordar assuntos desconfortáveis. A crítica é construtiva, não necessariamente negativa. Serve para fazer crescer, melhorar, tornar mais forte e ajudar a alcançar sonhos e objetivos.

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JOSE RENATO NALiNI

É muito mais fácil o tapinha nas costas, mas isso não ajuda a desenvolver a personalidade de quem precisa do estímulo, mas também do “puxão de orelhas”. Só que o êxito não está no formador, mas no protagonista do próprio destino, que é a gente mesmo. Quem quer conquistar metas tem de abolir de seu dicionário a expressão “não posso”. Falar “não posso, não consigo”, significa que isso já foi introjetado em sua mente e você não vai mesmo chegar à meta prevista. “Querer é poder” ainda tem uma força considerável. Pensar positivamente, acreditar nas possibilidades, explorar as potencialidades. Mas esforçar-se, dando o sangue para chegar lá.

São características que tipificam um líder. Este não é o comandante pela força, mas aquele que cultiva e vivencia valores éticos e morais, mais confiança e credibilidade. Sem liderança, o que sobrevém é atrito, confusão e queda de desempenho. Usar a tecnologia é uma arte, mas nada substitui o contato humano. Por isso é que as competências socioemocionais são hoje o maior desafio da educação mundial. Olhar nos olhos, apertar a mão, ser amistoso, cordial e polido. Sorrir, pois esse movimento dos lábios, que repercute em todo o rosto e afeta a totalidade do corpo físico e espiritual, é algo milagroso.

Lembrar sempre que ninguém chega sozinho a lugar algum. De que adianta vencer e ficar sozinho depois que desce do pódio? Mas tudo isso não pode deixar de ser previamente pensado, refletido e meditado. O que é vencer? O que é perder? Tudo depende de minha concepção de vida. De meus valores, de minhas ambições e de meus sonhos. Lembrar que a aventura terrena é frágil e efêmera. Sorver os segundos de felicidade, pois a vida continua a ser vale de lágrimas e peregrinação contínua, que culmina com a morte.

JOSÉ RENATO NALINI é secretário estadual de Educação.


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