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José Renato Nalini: O amanhã não suporta comodismo

JOSÉ RENATO NALINI | 15/04/2018 | 05:00

Não é fácil antever o que a 4ª Revolução Industrial ainda nos trará em termos de inesperado e de sustos. Sabe-se apenas que o amanhã é indecifrável, nada obstante o empenho dos futurólogos em detectar as megatendências da Humanidade.

Há um relatório chamado “O Estado do Futuro”, elaborado pelo Projeto Millenium, uma rede mundial preocupada em coordenar estudos e pesquisas a respeito do porvir. Tenta-se avaliar a situação global mediante a identificação e análise de tendências e do desenvolvimento de cenários normativos, exploratórios e de longo prazo.

Anuncia-se a catástrofe do desemprego em massa, com a automatização de inúmeras carreiras. Profissões antigas passarão para a arqueologia da cultura humana. Necessitar-se-á de profissionais cuja atividade sequer pode ser denominada.

É preciso ter em mente que a tecnologia não é algo incontrolável, que vai nos dominar irremediavelmente, mas o pensamento antípoda também é falacioso. Não é uma ferramenta como outra qualquer, que possamos dispensar em benefício de algo mais confiável, tradicional e consoante nosso despreparo em relação aos avanços científicos.

Robótica, inteligência artificial, internet das coisas, realidade aumentada e outras dimensões, além da terceira, biotecnologia, nanotecnologia. Tudo isso impacta e impactará cada vez mais a rotina.

E por falar em rotina, aqueles detentores de uma burocracia invencível, que se consideram os “donos” de informações que só fornecem a fórceps, os mantenedores de praxes obsoletas e que apenas dificultam a vida das pessoas, estão com os dias contados.

As pessoas se acostumaram com o ritmo das redes sociais, têm respostas em segundos para suas perguntas, conversam on-line com familiares ou amigos que estão do outro lado do planeta. Já não suportam serviços públicos ineficientes.

Em regra, tudo aquilo que a Administração Pública faz é mais dispendiosa, demorada e tem qualidade menor do que o realizado pela iniciativa particular. Basta comparar os serviços extrajudiciais, dos antigos cartórios, com o andamento do foro judicial. Em serventias, que não têm por si o erário, ao contrário, é o erário que delas usufrui em elevada percentagem. Não há lentidão, demora ou feitos sigilosos. Tudo tem resposta pronta e imediata. É por isso que cresce a necessidade de dotá-las de maiores e mais abrangentes atribuições, pois levam a sério a eficiência.

O futuro não dará espaço para o acomodado, o inerte, o desalentado. Ao contrário: exatamente por trabalhar para o povo, pago pelo povo, o servidor tem de ser o mais diligente dentre os prestadores de serviço.

JOSÉ RENATO NALINI é desembargador e ex-secretário de Educação do Estado de São Paulo


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