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José Renato Nalini: O estresse deseduca

JOSÉ RENATO NALINI | 26/03/2020 | 05:31

Minha experiência com a educação começou cedo. Criança ainda, me dispunha a ensinar catecismo. Ia a pé até a Capela São Lázaro, em uma parte da cidade que preservava o verde e tinha até alguns “canyons”, trabalho das águas pluviais.

Depois, na gestão 1969 – 1972 de Walmor Barbosa Martins, tive a oportunidade de substituir a Secretária da Educação, Cláudia Maria de Lucca, ao se demitir. Durante um período curto, convivi com o magistério municipal, idealista e entusiasta. Marinha Godoy de Araújo Cintra, mãe da querida e saudosa Sonia Maria Araújo Cintra, foi alguém que me ajudou muito nessa prazerosa missão.

Graças ao professor Nassib Cury, em 1969 comecei a lecionar no Instituto de Educação Experimental de Jundiaí, hoje EE Dom Gabriel, aprendendo sociologia num curso de aperfeiçoamento de professores primários. Nunca mais deixei de lecionar. Na PUC-Campinas, logo após à formatura. Na Faculdade de Educação Física de Jundiaí. Em dezenas de faculdades. Hoje, a Uninove tem o perfil ideal de acolhimento: seja para os mestres, seja para o alunado.

Quando cheguei à Secretaria da Educação do Estado, por pertinaz insistência de Geraldo Alckmin, tive a noção do drama das escolas públicas. 400 mil almas na folha de pagamento. 230 mil professores em atividade, dos quais 70 mil permanentemente fora da sala de aula. Motivo: doença. Quase 99% enfermidade mental. Estresse, depressão, síndrome do pânico e outras.

Não é fácil a vida do professor. A família, aparentemente, desistiu de educar. Tudo tem de ser a escola. Educação de berço? O que é isso? Professores apanham, são alvo de chacota, quando não de envenenamento.

O empresariado investe em programa de saúde mental. O governo não. Segundo a consultoria Mercer Marsh Benefícios, em 2019, 46% das empresas têm iniciativas focadas no bem-estar mental de seus funcionários. 53% delas oferecem massagens e outros programas.

Isso tem de ser feito em todos os níveis, para compensar ao professor o desgaste a que ele está sujeito. O estresse não é boa companhia para quem assume a missão de formar as gerações do amanhã. Por sinal, o que será o amanhã do Brasil, se a educação continuar sua escala descendente?

JOSÉ RENATO NALINI é reitor da Uniregistral, docente da pós-graduação da Uninove e Presidente da Academia Paulista de Letras – 2019-2020.


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