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José Renato Nalini: Pobres e descontrolados

JOSÉ RENATO NALINI | 19/04/2018 | 03:00

A maioria dos brasileiros é constituída de pobres. Isso não é novidade. O dado que talvez muitos ignorem é que 45% dos nacionais não conseguem controlar as próprias finanças. Não fazem planejamento, gastam sem poder e mal.

Foi um estudo realizado em todas as capitais pelo Serviço de Proteção ao Crédito e pela Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas. O percentual passa a 48% entre as pessoas das classes C, D e E e para 51% entre os homens.

Aqueles que conseguem fazer uma precária administração do orçamento doméstico são poucos – 21% deles confiam apenas na memória.

A boa nova é que 55% controlam seus gastos. 28% usam caderno de anotações, 18% a planilha em Excel e 9% conseguem trabalhar com aplicativos no celular. A maioria destes garante ser autodidata. Ninguém se preocupou em transmitir informações ou no ensino do controle das finanças pessoais.

Os que aprenderam a controlar o orçamento, 92% dão maior importância aos gastos de primeira necessidade e aos valores altos. Assim é que entram no controle as despesas básicas, tais como mantimentos, produtos de higiene, mensalidades escolares e as chamadas utilidades domésticas: água, luz, gás, condomínio e aluguel. Também têm lugar as prestações contraídas no carnê, crediário e cartão de crédito. Pouca gente controla os rendimentos, pensões e aposentadorias.

Quase 60% dos brasileiros que controlam o orçamento confessam a dificuldade para fazê-lo. Mas algo que a crise forçou a acontecer foi a pesquisa de preço: 84% dos consumidores costumam procurar o melhor preço ou aguardar a oferta daquilo que pode esperar. Preocupante a percentagem daqueles que, em 2017, tiveram dificuldade para cobrir suas despesas e sofreram na carne a experiência de um orçamento insuficiente: 77%.

É importante que as famílias tenham controle rígido de seus gastos. E que ensinem seus filhos a exercer a mesma fiscalização. Os antigos diziam “dinheiro não leva desaforo”. A educação pública paulista possui alguns programas de educação financeira, servindo-se da experiência de setores acostumados ao manejo racional da economia. Mas há também programas na web como o “Meu Bolso Feliz”.

Se não for possível manter o bolso feliz, pois a crise ainda está longe da superação, ao menos que não seja tão infeliz que faça o cidadão perder o sono, a saúde e, principalmente, a esperança.

JOSÉ RENATO NALINI é desembargador e ex-secretário de Educação do Estado de São Paulo


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