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José Renato Nalini: Que falta faz Pedro II!

JOSÉ RENATO NALINI | 02/08/2018 | 05:30

Cada vez que se faz um retrospecto do que já foi o Brasil, e do que ele é hoje, mais se conclui que fomos infinitamente melhores. E não há como deixar de sentir saudades de governantes como o injustiçado imperador Pedro II, cujo trono foi usurpado para a instauração de uma República que nunca germinou. Sempre admirei aquele monarca, lúcido e progressista, cujo mecenato permitiu o desenvolvimento de carreiras artísticas legendárias e que era respeitado no mundo inteiro, mercê de sua cultura enciclopédica.

Ao tempo de Pedro II, a moeda brasileira se equiparava ou superava as mais cotadas. Intelectual, democrata, amava profundamente o Brasil e seu povo. Tanto que não se servia do dinheiro da Coroa para seus deslocamentos e para patrocinar bolsas de estudo para brasileiros em aperfeiçoamento no exterior. Ainda agora, recebo de meu amigo, o desembargador Rogério Medeiros, atual presidente do TRE de Minas Gerais, um relato que ressalta as qualidades do brasileirinho que aqui ficou sem os pais desde os cinco anos, criado para ser Imperador e que não perdeu a serenidade, a doçura e sua reconhecida sensibilidade.

No gabinete da presidência do Tribunal há um retrato a óleo de Pedro II. Foi ele quem criou o Tribunal da Relação de Minas, em Ouro Preto, em 1873, um ano antes da criação do Tribunal da Relação em São Paulo. Naquele tempo, os desembargadores viajavam de carruagem do Rio para a capital mineira.

Na biografia do imperador, escrita por José Murilo de Carvalho, há um episódio que confirma a excelência do caráter do monarca. Ao lhe ser apresentada uma proposta de reforma do sistema eleitoral, respondeu que o melhor que se poderia fazer, para aperfeiçoar as eleições e os políticos brasileiros, seria “educar o povo”.

Sim, povo educado sabe escolher. Mais do que isso, sabe fiscalizar. Cobra pelos descalabros. Exigiria a implementação do “recall”, para cassação de qualquer mandato em seu pleno curso, caso o representante viesse a trair o representado.
Infelizmente, o imperador Pedro II não foi ouvido. Não o obedeceram. Deu no que deu. A receita ainda vale. Mas educar para valer requer investimento a longo prazo. Educa-se para a próxima geração. E educação, para alguns políticos, traduz-se na próxima eleição.

JOSÉ RENATO NALINI é desembargador, reitor da Uniregistral, escritor, palestrante e conferencista

JOSE RENATO NALINI


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