Jornal de Jundiaí | https://www.jj.com.br

Renato Nalini: Vão-se os melhores

José Renato Nalini | 04/07/2019 | 07:32

Teresa D’Ávila, a grande Doutora da Igreja, prolífica pensadora, tem um texto muito repetido: “tudo passa, só Deus não passa”… Aprendemos a reconhecer a veracidade do asserto, quando vemos partir figuras notáveis que cruzaram nossos caminhos.

Uma delas, que me causou tristeza, foi a morte de Salvador Messina Neto, o simpático Turilo. Sempre bem humorado, alegre, bonachão e extremamente simpático.

Lembrei-me de quantas vezes, ainda estudante, recorria à Cica – Companhia Industrial de Conservas Alimentícias, para atender às nossas solicitações para quermesses do Ginásio Divino Salvador. Também incluía a Cica, de que tanto nos orgulhávamos, nas visitas ilustres que vinham a Jundiaí. E ele acompanhava, atencioso e gentil, a mostrar o parque fabril que produzia o figo rami, o “quatro em um”, na grande lata redonda, o “marron glacé” de batata doce e o extrato de tomate “elefante”, que não podia faltar na cozinha de todas as brasileiras naquelas décadas.

Já não temos a Cica, nem a Vulcabrás, nem a Duratex, nem a Argos, no esvaziamento industrial de nossa cidade. Sinal dos tempos? Vi também com apreensão que diminui a área destinada à cultura que nos celebrizou – os vinhedos. Ainda podemos nos chamar “Terra da Uva”?

Mas o Turilo continuou amigo, polido e cordial, com quem me encontrei várias vezes nas reuniões festivas do Consulado Italiano. Ligado a José Messina, eterno diretor do Dante Alighieri e também parente dos meus queridos e saudosíssimos amigos, Zaida e José Messina, que já estão no etéreo, assim como Maria Edith Messina de Castro e seu filho Fernando.

Ele era fiel leitor de minhas reflexões. Sempre uma palavra amável quando nos víamos.

A missa de sétimo dia na Igreja Nossa Senhora do Perpétuo Socorro foi muito bonita. O celebrante recordou-se daquilo que todos conheciam nas décadas de 50 a 70: “Se a marca é Cica, bons produtos indica…”.

Um dos melhores produtos era mesmo o Turilo, que deixou Maria da Grazia, quatro filhos, onze netos, dois bisnetos. Como dizia Maria de Lourdes Teixeira, a primeira mulher a ser eleita para uma Academia de Letras no Brasil, a nossa Academia Paulista, “nossos mortos só morrem se nos esquecemos deles”. Há pessoas, como Turilo Messina, que são mesmo inesquecíveis.

JOSÉ RENATO NALINI é Reitor da UNIREGISTRAL, docente  da Pós-Graduação da UNINOVE e Presidente da ACADEMIA PAULISTA  DE LETRAS – 2019-2020.


Leia mais sobre |
Link original: https://www.jj.com.br/opiniao/jose-renato-nalini-vao-se-os-melhores/

Notícias relacionadas


Desenvolvido por CIJUN