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José Renato Nalini: você, queira ou não, vai mudar!

JOSÉ RENATO NALINI | 21/06/2018 | 06:00

Sou do tempo do rádio fanhoso, em que havia interferência. Cada vez que um lance de futebol era prejudicado por algum som estranho, meu pai estrebuchava nervoso, porque perdia o lance que poderia ser decisivo. Sou do tempo do telefone de manivela. Eram apenas três algarismos e poucos dispunham dessa comodidade. Depois vieram os quatro e a disseminação por residências. Mas os interurbanos dependiam da telefonista e havia natural demora para se completar a ligação.

Hoje, não há quem dispense o mobile. Crianças e idosos, ricos e pobres, todos têm o seu celular, ou smartphone, ou tablet e isso não vai parar aqui. Sou do tempo em que meu pai ia ao armazém fazer “a compra do mês”. Alguém ia anotando, experimentava-se o que se ia adquirir. Horas a fio conversando, revendo conhecidos. Tudo anotado numa caderneta. Uma carrocinha vinha entregar e o pagamento se fazia de acordo com as convenções entre comerciante e freguês.

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Hoje o cartão de crédito é uma comodidade. Mas não é definitivo. A China já implementou o pagamento por reconhecimento facial, mais seguro do que a biometria. A nova tecnologia dispensará o cartão de plástico e o meio ambiente agradecerá. Pequenas coisas geram enormes problemas. É o caso do cotonete, com suas hastes plásticas e do inofensivo canudinho, que depois vai matar tartarugas e entupir os mares, aos poucos inviabilizando a vida neste planeta que já se cansou de emitir sinais de que o animal predador mais cruel e insensato se chama ser humano.

Haverá resistência natural dos que investiram no maquinário e para os quais a lei inercial é a mais importante, porque assegura o retorno do capital empregado na construção dos equipamentos. Mas é uma exigência imposta pela racionalidade. Um dos ODS – Objetivos de Desenvolvimento Sustentável -, da Agenda 2030 da ONU, o de número doze, é justamente “assegurar padrões de produção e consumo sustentáveis”.

Precisamos estar abertos para as decisões que poderão nos tirar da zona de conforto, que exigirão novas posturas, destemor e ousadia. Mas é o único remédio para que a humanidade não tenha sido um projeto fracassado, por escolher o suicídio coletivo como alternativa à obrigatória flexibilidade ao deixar o velho e abraçar o novo. Com todos os riscos e desconfortos que ele possa trazer.

JOSÉ RENATO NALINI é desembargador, reitor da Uniregistral, escritor, palestrante e conferencista

JOSE RENATO NALINI


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