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José Renato Nalini: Volta à Natureza

JOSÉ RENATO NALINI | 24/07/2018 | 05:30

A descoberta das utilidades que a era do petróleo propiciou à humanidade pareceu vislumbrar um estágio de plena prosperidade para o bicho-racional. E de certa forma, assim foi. Não se pode negar o conforto que esse aproveitamento gerou. Ocorre que tudo tem começo, meio e fim. O excesso de produção de substâncias que o tempo e o solo não absorvem está envenenando o planeta. As pessoas parecem não se dar conta de que o plástico é quase indestrutível. Mas – e talvez por isso mesmo – suficientemente capaz de destruir a higidez do ambiente.

Os oceanos já estão contaminados pelos dejetos. Ilhas inteiras de material pet navegam pelos mares. Material lançado fora é impregnado de outros atestados da ignorância humana, que continua a desperdiçar inconscientemente. Despreza-se o que tem valor, sacrificado nesta fase do descarte de praticamente tudo. O desperdício sufoca qualquer possibilidade de utilização hígida de um tesouro que ninguém criou: a atmosfera, o solo, as águas interiores e o mar. O plástico tomou conta de tudo. Desde as fraldas “descartáveis”, a pratos, copos, cotonetes, canudinhos – o inofensivo canudinho, que mata tartarugas e não se dissolve na água salgada!

HOMENAGEM DOUTOR JOSE RENATO NALINI NO FORUMÉ urgente um retorno à natureza. Usar adequadamente dos finitos recursos ambientais que estão desaparecendo. Cuidar melhor da água. Ressuscitar as nascentes que sepultamos para dar lugar ao asfalto, em homenagem a sua majestade o automóvel. Ou cursos d’água que poluímos com resíduos tóxicos e com uma crescente ignorância que produz milhões de toneladas de dejetos que descaracterizam a vida terrestre. Na Europa, onde a consciência ambiental encontra eco num povo mais civilizado, volta-se a usar a garrafa de vidro, em substituição à invenção do plástico. Por que não disseminar esse uso entre nós?

Também é primordial substituir tudo o que é de plástico – talheres, cotonetes, canudos – por material ambientalmente correto. Talheres de madeira, a partir dos garfinhos tão úteis e tão saudáveis, hastes de madeira, pratos de papel. Não é para salvar a natureza. É para salvar a Humanidade que, repito, parece haver escolhido o suicídio coletivo como forma de desaparecer – sem deixar vestígios – deste sofrido e maltratado planeta.

JOSÉ RENATO NALINI é desembargador, reitor da Uniregistral, escritor, palestrante e conferencista


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