Opinião

Judiciário: o alvo preferido


Valores em declínio, extinção da ética, enterro da polidez e da cordialidade, são várias as características destes nossos tristes tempos. As instituições perderam sua aura de respeitabilidade e estão sob intenso tiroteio. Família, Escola, Igreja, Polícia. Tudo é objeto de contestação. Por que o Judiciário estaria livre da saraivada de críticas, muitas das quais extremamente contundentes, que assola o Brasil? Depois da decepção com o Executivo e da descrença no Legislativo, o sistema Judiciário não passaria incólume por esta fase. Nem falo das redes sociais, que veiculam mensagens destrutivas, algumas de péssimo gosto e de nenhuma educação. Penso na mídia espontânea e nos considerados ‘grandes jornais’, categoria na qual a Folha de São Paulo se inclui. Há uma série de charges que envolvem o STF e seus integrantes, noticiário frequente sobre a ‘Lava Toga’ e artigos acerbos contra Magistrados e outros tribunais. Um deles é singularmente eloquente. Reinaldo Azevedo, na FSP de 18.10.19, escreveu ‘STF entre a Constituição e a desordem’. Subtítulo: dos muitos males do Brasil, nada é mais nefasto que o populismo judicial. Seu alvo é o Ministro Luis Roberto Barroso, que para o jornalista “evidenciou a que descaminhos pode se deixar conduzir um juiz”. Acrescenta que, ao sustentar a legitimidade do cumprimento da pena a partir da condenação em 2ª Instância, o “doutor trocou a toga por uma touca ninja”. Isso porque teria afirmado que os criminosos violentos não fruiriam da liberdade enquanto à espera do julgamento nas superiores instâncias: a 3ª, no STJ e a 4ª, no STF. Mas que a medida favoreceria os criminosos de colarinho branco e os corruptos. Segundo Reinaldo Azevedo, isso significa “a demagogia barata a serviço do populismo rasteiro de extrema direita”. E continua: “Barroso não se importa em rasgar a carta sob o pretexto de caçar corruptos. Essa é sua nova fachada identitária. Que importa que tal desiderato se dê ao arrepio da Constituição, ameaçando direitos de quem corrupto não é?”. Conclui por afirmar que o populismo judicial corrompe também o combate à corrupção e chama o Ministro Barroso de ‘flor do pântano’. Isso é Democracia. Mas que é estranho para quem conviveu com uma quase veneração devotada ao Judiciário, isso é fato. JOSÉ RENATO NALINI é reitor da Uniregistral e presidente da Academia Paulista de Letras

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