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Legado Verde: que inveja!

JOSÉ RENATO NALINI | 10/10/2019 | 07:30

A Etiópia, que até há pouco nos fornecia imagens dantescas de crianças famélicas, dá uma lição para o mundo em 2019. Em 29 de julho de 2019, em doze horas, sua população conseguiu plantar 352 milhões de árvores. É o mundo a mostrar que ‘aquecimento global’ não é fruto da teoria da conspiração, mas realidade científica inequívoca. Não é ‘fake news’. Aqui, a ‘fake news’ é tentar desmoralizar as consciências sensíveis que se preocupam com o futuro da Humanidade.

Al Gore, ex-vice Presidente dos Estados Unidos e o principal protagonista do clássico documentário ‘Uma Verdade Inconveniente’, discursou recentemente, durante a entrega dos prêmios aos 40 inovadores sociais indicados pelo Fórum Econômico Mundial.

Em seu discurso, ele afirmou: ‘Nós temos a habilidade de resolver esta crise climática. Não quero acreditar que nós, seres humanos, estamos condenados a destruir a nós mesmos’.

Fazendo expressa referência à Etiópia, declarou: ‘A melhor tecnologia para barrar as mudanças climáticas já existe: são árvores’.

O Brasil fornece o outro lado: o exemplo negativo. Continua a desmatar, como se a floresta amazônica fosse inextinguível.

Seria ignorância ou premeditada má-fé alimentar falácias como a de que a nossa soberania está arranhada, quando países civilizados se preocupam com o destino da última grande floresta tropical do planeta? É crível afirmar que as nações que, em outra época, sem a consciência atual, destruíram suas matas, não têm legitimidade para se indignar com o que os desmatadores, incentivados por nítida mensagem de ‘liberou geral’, fazem com a Hiléia brasileira?

Será que esses brasileiros que ofendem primeira-dama estrangeira, ridicularizam nações que oferecem dinheiro para a preservação, invocam a teoria inconsistente da conspiração internacional, têm ideia de que o solo amazônico é arenoso? Se as árvores desaparecerem, logo ali haverá um deserto?

O futuro precisa ser mais justo e sustentável. Isso depende de um software que cada um tem dentro de si: a sua responsabilidade, a sua consciência, o apreço que devota a uma ciência muito negligenciada: a ética.

A esperança é que as crianças tomem as rédeas e imponham aos adultos toscos, rústicos ou simplesmente cruéis, os seus valores reais. Não há refil para a natureza destruída. Não é o planeta que corre risco. É a vida.

JOSÉ RENATO NALINI é reitor da Uniregistral, docente da Pós-Graduação da Uninove e Presidente da Academia Paulista de Letras – 2019-2020.


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