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Liciana Rossi: O segundo cérebro

LICIANA ROSSI | 16/03/2019 | 07:30

O Sistema Nervoso Entérico (SNE), ou segundo cérebro, é uma coleção de mais de 500 milhões de neurônios encontrados fora do grande cérebro principal que vive em nosso crânio, e provavelmente evoluiu antes do nosso cérebro principal. Você sabe aonde ele se encontra? Para espanto geral, ele está em todas as partes do seu intestino, desde o esôfago, em seu estômago, ao longo de seus intestinos, até o caminho final (você sabe onde). Em vez de um pedaço singular de um órgão, ele é como uma malha integrada em todo o sistema. O SNE tem todos os tipos de neurotransmissores circulando, enviando sinais químicos de uma parte do intestino para outra, os mesmos neurotransmissores encontrados nos cérebros de nossos crânios. Não é consciente como nosso cérebro principal é, mas sem ele não poderíamos sobreviver.
Nossos corpos têm muitas funções automáticas, mas os intestinos não são governados pelo sistema nervoso central (SNC), embora eles se comuniquem com o SNC através do nervo vago. O SNE opera de forma independente. Pode trocar informações com o CNS, mas não precisa digerir comida. Isso é parte da razão pela qual não precisamos comer continuamente. O sistema está sempre “ligado”, mas não está trabalhando ativamente até comermos. Esse “sistema inteligente” em nossos intestinos permite que o movimento digestivo ocorra somente quando é necessário.
Os defensores da saúde holística há muito tempo sugerem uma conexão entre cérebro e intestino. Já é sabido que 90% da serotonina que nosso organismo produz (frequentemente chamado de neurotransmissor da felicidade) é produzida em células especiais no trato gastrointestinal. Metade da dopamina que produzimos também está localizada lá. Tanto a serotonina como a dopamina têm uma função fisiológica e também influenciam o humor quando saem do intestino e entram na corrente sanguínea. Conectando os pontos entre a função conhecida desses neurotransmissores, é possível que o SNE possa agir de maneira mais direta para influenciar nossas emoções e estados de espírito, embora isso ainda não tenha sido entendido plenamente pelos cientistas.
Esta relação cérebro e intestino, que eu tentei explicar resumidamente, apenas é um alerta geral para o que venho escrevendo há tempos neste lindo canal de comunicação: assim como é preciso praticar exercícios regularmente para se ter boa saúde é preciso comer com responsabilidade e escolher, planejar e organizar as refeições. Uma dieta inapropriada pode abalar suas emoções. Já há estudos ligando má alimentação a transtornos de atenção, autismo, e muitas outras doenças graves. Está na hora de abrirmos nossa cabeça para os achados científicos e a olhar para nosso futuro. A fatura dos seus hábitos uma hora vai chegar, e você estará pronto para pagar por ela? Muita saúde a todos.

LICIANA ROSSI é educadora física formada pela ESEF Jundiaí; pós-graduada em treinamento físico pela Unicamp e ginástica corretiva pela FMU-SP; exercícios corretivos pela Academia Nacional de Medicina Esportiva – NASM/USA; CHEK Practitioner nível 2 Califórnia/USA; Holistic Life Style Coach/CHEK Institute/USA

Liciana Rossi

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