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Liciana Rossi: Uma reflexão postural e o medo do futuro

LICIANA ROSSI | 23/06/2018 | 05:00

Dia desses lembrei-me do meu avô. Quem conheceu o “Seu Lúcio” lembra de sua postura: andava todo arqueado, quase caindo para frente, resultado da dura vida da roça, plantando e colhendo, trabalhando arduamente desde criança, até se mudar para a cidade. Mas a fatura dessa alta demanda física chegou e lhe trouxe uma bela calcificação na coluna, que o fez sofrer bastante.

Ainda hoje vemos o resultado da dura vida da roça em idosos que trabalharam pesado e hoje sofrem com os problemas de coluna.
Essa lembrança me fez parar e pensar nos males da coluna através dos tempos. Outra geração que colhe os frutos penosos das dores nas costas é a geração do trabalho sentado, no computador, que aliado ao estresse que chegou arrasando corações, literalmente, e adoecendo muitas pessoas. E isso é recente. Mas esse conjunto de trabalho sentado, estresse e computador não poderia ser pior e podemos constatar ao nosso redor muitas pessoas sofrendo muito por isso.

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Sentar por horas e horas acomete todo o corpo, principalmente as pessoas sedentárias. Órgãos como o coração podem ser afetados, pois o tempo prolongado na posição sentada é ligado ao aumento da pressão arterial e ao colesterol elevado, principalmente em sedentários, elevando os riscos de doenças cardiovasculares.

O pâncreas também é sobrecarregado na posição sentada, pois como produz a insulina, o hormônio que transporta glicose do sangue para a célula para ser utilizado como energia, tem que trabalhar bastante, uma vez que um corpo ocioso não responde rapidamente. Então o pâncreas produz mais e mais insulina, podendo levar ao diabetes e outras doenças.

“Quando penso que as crianças passam ao menos 5h por dia sentadas em classe, já me desespero”

Pensando nos músculos, músculos tensos nas costas e pescoço e fracos no abdômen fazem com que se perca a curvatura natural da coluna, arqueando-a, levando-a à hipercifose ou “postura desleixada”. Da mesma forma que os músculos ficam fracos, o quadril fica limitado e “preso”, podendo diminuir até o comprimento dos passos por diminuição de sua mobilidade e aumento de tensão articular e encurtamento muscular, aumentado também o risco de quedas em pessoas de mais idade. Fora problemas circulatórios, que vão de um simples inchaço, passando por varizes até chegar a uma temida trombose.

E esta reflexão não para por aqui. Estes sintomas e problemas geralmente estão aparecendo nos adultos e idosos. Mas temos que refletir melhor e evitar isso nas nossas crianças e adolescentes. O que poderemos fazer para que a nova geração não sofra tanto com problemas de coluna?

Quando eu penso que as crianças passam ao menos 5 horas por dia sentadas em classe, por anos, já me desespero. Comigo também foi assim. Havia dias que não tinha posição para ficar na carteira, que era super desconfortável. Fora o peso das mochilas. Para piorar a situação, recentemente chegaram os smartphones entre eles e as posturas horríveis que estes jovens ficam no celular, por horas a fio.

Tenho motivos para me preocupar. Mas a minha dica é que tenhamos atenção à nossa postura para darmos o exemplo a estes jovens e que tentemos, de alguma forma, corrigir aqueles que estão à nossa volta, seja seu filho ou neto, ou se você for professor tente corrigir a postura da classe, educá-los posturalmente e esclarecer os riscos do uso demasiado dos smartphones e a postura ideal do pescoço, já abordada em artigos anteriores. Que tentemos de alguma forma evitar que, no futuro, essas gerações sofram até mais com suas colunas.

LICIANA ROSSI é educadora física formada pela ESEF Jundiaí; pós-graduada em treinamento físico pela Unicamp e ginástica corretiva pela FMU-SP; exercícios corretivos pela Academia Nacional de Medicina Esportiva – NASM/USA; CHEK Practitioner nível 2 Califórnia/USA; Holistic Life Style Coach/CHEK Institute/USA.

 

COLUNISTA LICIANA ROSSI

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Link original: https://www.jj.com.br/opiniao/liciana-rossi-uma-reflexao-postural-e-o-medo-do-futuro/
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