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Liciana Rossi: ‘Whatsappinite’

LICIANA ROSSI - opiniao@jj.com.br | 10/03/2018 | 05:55

O uso prolongado de celulares pode dar início a dores, queimações, formigamentos e terminar em sérias lesões nos dedos das mãos, pulsos e cotovelos, devido aos movimentos repetitivos da digitação. Este tipo de dor tem sido o motivo de inúmeras visitas aos ortopedistas e de tratamentos fisioterápicos. O uso de telefones celulares tem aumentado exponencialmente. Hoje, em torno de 3,3 bilhões de pessoas fazem uso deste tipo de tecnologia, uma em cada duas pessoas no planeta faz uso de algum tipo de smartphone. Seja digitando em mensagens, trabalhando ou se divertindo nos jogos e mídias sociais, esta nova mania, indispensável nos dias de hoje, tem acarretado dores e lesões.

COLUNISTA LICIANA ROSSI

Digitar sempre com o “polegar” pode levar a dores e inflamações que vão de tendinite à artrite. Desconforto em torno da base do polegar, não só de quem digita em celulares, mas brinca em videogames também, ou por uso excessivo de algum aparelho eletrônico pequeno e nada ergonômico, que gera dores e pode acabar em lesões por esforços repetitivos. Quando digitamos no celular, por exemplo, por baixo da pele, músculos se contraem, tendões conectam ossos aos músculos que se movimentam para que o polegar faça flexão e extensão, alcançando as letras desejadas no seu texto. Isso pode também levar dores a outras partes do corpo como dedo médio, punhos e cotovelos. Desconfortos no pescoço e ombros também são comuns por falta de ergonomia dos aparelhos e má postura. Portanto, fiquem atentos ao seguinte:

– Pescoço: a postura fora do habitual e extremante para frente (pescoço de ganso) causa dores e desconfortos, podendo virar sérios problemas de coluna cervical.

– Polegares e punhos: os polegares são os mais afetados pelo uso constante na digitação, porém as dores podem ocorrer no dedo médio e pulso.

– Cotovelos: a face lateral do cotovelo pode inflamar e doer, pois é onde se originam os músculos que mexem os dedos e punhos.

Hoje em dia já se fala em “WhatsAppinite”. Soa engraçado, mas em épocas de festas, por exemplo, muitas pessoas passam horas mandando mensagens e acabam inflamando suas mãos. O termo foi utilizado em estudo apresentado na revista médica “The Lancet”.  Portanto, se as dores começarem a surgir, reduza o tempo no celular e cuidado com a digitação excessiva. Alterne-as com mensagens de voz, quando possível, poupando seus dedos. Para textos longos, prefira os computadores, pois há apoio dos cotovelos (que não devem passar dos 90 graus de flexão). Faça pausas quando utilizá-los por tempo prolongado e preste muito atenção à sua postura. Alongamentos para antebraços e dedos devem ser feitos constantemente (puxando os punhos para baixo e para trás, com o braço estendido à frente). Abrir e fechar as mãos e movimentos circulares nos punhos e ombros podem ajudar. Lembre-se que a dor e o incômodo são os jeitos que o seu corpo tem de avisá-lo que algo não vai bem. Aprenda a ouvir mais o seu corpo e muitos problemas de saúde serão evitados.

LICIANA ROSSI é educadora física formada pela ESEF Jundiaí; pós-graduada em treinamento físico pela Unicamp e ginástica corretiva pela FMU-SP; exercícios corretivos pela Academia Nacional de Medicina Esportiva – NASM/USA; CHEK Practitioner nível 2 Califórnia/USA; Holistic Life Style Coach/CHEK Institute/USA.


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