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Lissiana Rossi: Estresse engorda mais do que comida?

LICIANA ROSSI | 30/03/2019 | 07:30

Infelizmente é isso que acontece. Quando nosso cérebro detecta a presença do agente estressor, que no caso dos nossos antepassados era uma cobra ou um urso e atualmente pode ser não só um agente externo (como um assaltante, um acidente), mas interno, como a fatura do cartão de crédito, um chefe chato ou uma fechada no trânsito, ele libera seus hormônios específicos para situações estressantes, como a adrenalina e o cortisol, para nos preparar para lidar com o perigo, deixando-nos mais alertas e prontos para ação, capazes de suportar dores ou uma possível lesão (pensando naqueles casos de luta com animais, etc).
A adrenalina, por um curto período de tempo, faz com que não sintamos fome, assim nossa circulação fica longe das vísceras e da digestão, e concentrada nos grandes músculos, que já vão sendo preparados para lutar ou fugir. Entretanto, quando os efeitos da adrenalina passam, o cortisol sinaliza que o corpo precisa reestabelecer seu suprimento de energia, dando-nos fome. Quando lutávamos com animais ou fugíamos deles, usávamos muita energia, então nosso corpo foi preparado sabiamente para estocar glicose, pois não eram todos os dias que havia comida. Nosso corpo aprendeu então a estocar glicose.
Agora pensem, hoje em dia tendemos a ficar estressados com muita facilidade e por inúmeras situações, alguns são diagnosticados com estresse crônico. E para piorar, quando o cortisol sinaliza que nosso corpo precisa reestabelecer seu estoque de energia, oferecemos aos nossos corpos alimentos processados, açucarados, com excesso de carboidratos, proteínas e gorduras de baixa qualidade, tudo aquilo que ele não precisa, pois ele necessita apenas de bons nutrientes para se reequilibrar. Fora que perdemos mobilidade e movimento ao longo da nossa história, permanecendo sentados e estressados ao longo do dia, sem gastar toda essa energia. O nosso Sistema Neuroendócrino não foi “atualizado” para estes tempos modernos e nosso cérebro continua trabalhando da mesma maneira, como citei nos primeiros parágrafos. Portanto, o estresse, principalmente o crônico, pode sim nos dar de presente uma camada extra de gordura visceral em nossas barrigas. Esta região recebe um amplo suprimento de vasos sanguíneos e receptores para o cortisol, que fazem todo o processo descrito trabalhar mais eficientemente. Mas esse excesso de gordura abdominal não é nada saudável pois a gordura libera substâncias químicas desencadeando a inflamação, o que aumenta a probabilidade de desenvolvermos doenças cardíacas ou diabetes. E para finalizar, o excesso de cortisol também retarda o metabolismo, porque nosso corpo quer manter um suprimento adequado de glicose para todo trabalho mental e físico que lida com a ameaça, estocando glicose na forma de gordura e deixando nossos corpos lentos e cheinhos de células gordurosas repletas de energia. Você não consegue emagrecer e já está passando fome? Tente relaxar, saia desse estado crônico do estresse, você vai conseguir se aliar relaxamento, dieta e movimento. Nos dias de maior estresse, medite, faça Yoga ou caminhe na natureza. Muita saúde a todos.

LICIANA ROSSI é educadora física formada pela ESEF Jundiaí; pós-graduada em treinamento físico pela Unicamp e ginástica corretiva pela FMU-SP; exercícios corretivos pela Academia Nacional de Medicina Esportiva – NASM/USA; CHEK Practitioner nível 2 Califórnia/USA; Holistic Life Style Coach/CHEK Institute/USA

Liciana Rossi

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