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Livraria mágica de Paris

FERNANDO BANDINI | 20/11/2019 | 05:00

Romance da alemã Nina George, ‘A livraria mágica de Paris’ é um título surpreendente. Surpreende nos personagens, no enredo, nas cenas que se desenham com soluções inesperadas. A indicação veio de um jovem médico, Gilberto, que há décadas divide-se entre suas paixões: sua família, a medicina e a leitura.

Conta a história de Jean Perdu, livreiro parisiense que vende seus volumes na ‘Lulu’, barcaça de carga reformada pelo próprio Jean e ancorada no rio Sena, na capital francesa.

Perdu não só vende livros, mas indica aqueles que podem atenuar sofrimentos, atacar indisposições de espectro variado para gente de todo tipo. ‘Livreiros não cuidam de livros’, costuma dizer, ‘eles cuidam de pessoas’.

Sua ‘Farmácia literária’ do Sena tem clientela cativa e atrai turistas de todas as partes. Mas se receita livros para combater males alheios, o livreiro não consegue curar uma chaga aberta há 21 anos, desde que seu amor, Manon, foi embora sem dar explicações, deixando apenas uma carta que Jean não teve coragem de abrir.

Mas um incidente muda tudo e Jean vai enfrentar seus medos, desligar o piloto automático e seguir rumo próprio. Decide deixar Paris na ‘Lulu’, navegando pelos rios Sena, Loire e Ródano até o sul da França, até Bonnieux, terra de viticultores e território de Manon.

Na viagem, tem por companhia um jovem escritor, Max, que experimentou a fama com seu primeiro livro, estouro de vendas, mas que amarga bloqueio criativo e procura na viagem um assunto, um roteiro, uma história.

No meio do caminho, junta-se à dupla o napolitano Salvatore, faz-tudo (cozinheiro, mecânico, marceneiro…) que, assim como Jean, passou por desilusão amorosa e procura alguém nas cidadezinhas do interior da França por onde perambula algum tempo.

O livro tenta escapar de clichês de enredos de amor, e junta leveza, lirismo e humor para contar a trajetória desse trio cativante, que cria laços de amizade e divide impressões e sentimentos de maneira contida, sem excessos (a autora acerta em cheio ao não deixar os personagens escorregarem pela pieguice declaratória).

Uma bela história a respeito de perdas, encontros, desencontros e recomeço.

Nina George nasceu em 1973 e trabalha como jornalista e escritora. Publicou 26 livros, entre ficção e não ficção. Sua ‘Livraria mágica…’ lançada em 2013, tornou-se best-seller mundial e foi traduzida para cerca de 30 idiomas.

FERNANDO BANDINI é professor de Literatura no Ensino Médio

Foto: Arquivo/Jornal de Jundiaí


Link original: https://www.jj.com.br/opiniao/livraria-magica-de-paris/
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