Opinião

Luiz Flávio Gomes


O Brasil perdeu uma personalidade singular. Deputado Federal atuante nos grandes debates nacionais. Com apenas 62 anos (nasceu em maio de 1958, morreu em abril de 2020), o paulista de Sud Menucci se destacou no cenário jurídico e na difusão do conhecimento especializado. Foi o primeiro a disseminar por EAD a área mais explorada nas humanidades. Fundou os cursos LFG, um sucesso estrondoso, depois foi transferido por uma quantia que nunca teria alcançado se permanecesse nos cargos iniciais. Estudou na Velha e sempre nova Academia do Largo de São Francisco. Foi promotor de Justiça e depois ingressou na Magistratura. Conheci-o desde então. Interessou-se por cursar a Universidade Complutense, em Madri, e encontrou resistência por parte da ala conservadora do Tribunal de Justiça. Àquele tempo, apenas surgira a ideia de Escola da Magistratura e os mais céticos dentre os desembargadores diziam que “cuidar da educação é missão do MEC”. Ao tribunal incumbe fazer justiça. Pude auxiliá-lo, por força de me encontrar na assessoria da cúpula. Primeiro na Corregedoria Geral da Justiça e, em seguida, por duas gestões, junto à Presidência do Tribunal. Eram homens extraordinários os desembargadores Sylvio do Amaral, Nereu Cesar de Moraes e Aniceto Lopes Aliende. Graças a eles temos hoje a Escola Paulista da Magistratura. Luiz Flávio conseguiu a bolsa e foi para Madri com a família. Tive oportunidade de visita-lo e privar com sua família. Levou-me a conhecer o polêmico monumento a Los Caídos. Deixou a Magistratura e mostrou-se hábil empreendedor. Sua rede de ensino digital conquistou o país. Continuou afável e polido, e sentiu a alegria de ter um filho magistrado. Tive oportunidade de entrevistá-lo recentemente para a TV Uniregistral, o órgão de comunicação da Universidade Corporativa mantida pela ARISP, a Associação dos Registradores Imobiliários de São Paulo. Conservou-se idealista, lutou para que a cultura jurídica acompanhasse o desenvolvimento das tecnologias e ofereceu-se para batalhar junto ao Parlamento. Infelizmente, não teve tempo de mudar o Brasil. O país perdeu um predestinado, e eu perdi um querido amigo. RENATO NALINI é Reitor da Uniregistral, docente da Pós-graduação da Uninove e Presidente da Academia Paulista de Letras – 2019 - 2020.

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