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Maria Cristina Castilho: O amor que sinto por ti

MARIA CRISTINA CASTILHO DE ANDRADE | 18/04/2019 | 07:30

Deus me falou muito na Quaresma deste ano: dEle, do próximo e a meu respeito.
Dentre as reflexões, segui o retiro online da Quaresma 2019, com Edith Stein, preparado pelo Frei Philippe de Jesus, ocd, do Convento de Avon – Inglaterra.
Edith Theresa Hedwing Stein (1891-1942), filósofa e teóloga alemã, de origem judia, que se converteu a partir da leitura de um livro de Santa Teresa d’Ávila. No Carmelo, assumiu o nome de Teresa Benedita da Cruz. Faleceu no campo de concentração de Auschwitz. Canonizou-a o Papa João Paulo II.
Nesse tempo de interiorização, Deus me reafirmou o quanto Ele é misericórdia; Ele é e não muda, “Eu sou aquele que sou” (Êxodo 3, 14), assim se apresentou a Moisés, por isso, se desejo olhar o mundo com olhos do Céu – e anseio por isso – é preciso ver, em cada um, a pepita de ouro que carrega. Como escreveu Edith Stein, não julgar o próximo, pois só o Criador conhece a verdade. E do retiro online, “Jesus morreu para dar a vida a todos. Todo homem torna-se um próximo por quem Cristo morre”, tanto aquele que faz bater meu coração com ternura como o que me traz a sensação de: “Argh”!
Em suas meditações a respeito da cruz, Stein escreve: “O mundo está em chamas. (…). Mas a cruz ergue-se ainda mais alto que todas as chamas”. É convite para erguermos os olhos em unidade com o Crucificado, para transformamos a nossa cruz pessoal em bem-aventurança.
Fiz memória do caminho percorrido com o Senhor desde a minha infância. Recordo-me do quanto me enterneceu, aos cinco anos, em 1959, o coração da imagem de Jesus na Catedral NSD. Veio a Primeira Eucaristia, os Movimentos de Jovens, as mulheres em situação de vulnerabilidade social, a quem o Senhor me convidou a anunciá-Lo… E, nas lembranças, as tantas vezes que, por me colocar em lugar de Deus, em minha autossuficiência, enlameei minha alma, contudo Ele não deixou de me buscar. Mas eu também necessitava de que o pedestal de barro, em que me apoiava, se fizesse pó e me derrubasse para, pelo menos, ter consciência do quanto o orgulho me impedia de ver o Deus da Revelação.
Concluo com uma música de minha juventude: “Houve um dia que a Ti disse sim… Muitas vezes é forte o sofrer, / e cem vezes repito o meu sim, / bem maior é o amor, / esse amor que sinto por Ti”.
Uma Páscoa abençoada, querida leitora, querido leitor!

MARIA CRISTINA CASTILHO DE ANDRADE é professora e cronista

MARIA CRISTINA CASTILHO DE ANDRADEARTICULISTA


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